“São Maximiliano não morreu, mas deu a sua vida…”

  06 de novembro de 2018 • 10h55 • Atualizado em 08/11/2018 • 11h12

Nascido em 8 de janeiro de 1894, seu nome de batismo era Raimundo Kolbe. Natural da cidade de Zdunska Wola, na Polônia, era filho de pais humildes que tiveram uma história marcada pela fé. Raimundo sentiu o chamado de Deus aos 13 anos e entrou para o Seminário dos Frades Menores Conventuais Franciscanos. Junto aos confrades, no dia a dia, demonstrava cada vez mais a sua vocação. (Assista ao vídeo abaixo) 

Três anos depois, ingressou no noviciado dos franciscanos. Ao entrar na vida religiosa adotou o nome de Maximiliano e depois acrescentou um segundo nome: Maria. Este foi escolhido em homenagem a Nossa Senhora, de quem era muito devoto. Conta a história que quando ele tinha dez anos, durante um momento de oração, teria visto uma aparição da Virgem e nunca mais esqueceu.

Como Frei, Maximiliano foi mandado para Roma para terminar sua formação. Lá cursou filosofia, teologia e concluiu dois doutorados. Como devoto da Virgem Maria e ainda seminarista, em outubro de 1917, fundou lá mesmo em Roma, o movimento de apostolado mariano chamado ‘Milícia da Imaculada’. Seu desejo era converter os pecadores e fazer com o que o mundo inteiro chegasse a Cristo por meio de Maria. Menos de um ano depois, em abril de 1918, foi ordenado padre e no ano seguinte voltou à Polônia.

“Ele estabeleceu a meta de converter todos os inimigos da igreja sob a influência dos eventos que ocorreram naquele tempo. Ele decidiu abraçar essas pessoas com sua oração. Daí a fundação da Capela Imaculada, onde o objetivo principal é a conversão dessas pessoas, e também o apostolado através de uma medalha milagrosa e oração a Nossa Senhora da Imaculada”, explicou o porta-voz do mosteiro, Pe. Jacek Staszewski

Como sacerdote, Maximiliano foi professor, sempre em busca de ensinar o caminho da salvação. Com esse objetivo utilizou a imprensa como meio de evangelização. Em janeiro de 1922, na Cracóvia, depois de alguns anos de tentativa, ele conseguiu publicar a primeira edição da Revista com o nome Cavaleiro da Imaculada. A tiragem foi de cinco mil exemplares. Apesar dos problemas financeiros, a revista começou a se desenvolver rapidamente. Maximiliano então foi transferido para onde hoje é a Bielorússia e, sem desistir do seu sonho de evangelizar por meio da comunicação, logo organizou por lá sua primeira editora, onde imprimia a revista com as próprias mãos. Ele era redator, operário na gráfica e até carregava os pacotes para os correios. Naquela época, ele cumpria sua missão como sacerdote na paróquia atendendo as confissões e visitando os doentes.

Padre Maximiliano Kolbe sofria de tuberculose e frequentemente precisava diminuir o ritmo de sua rotina para se dedicar ao tratamento. Mas logo começou a encontrar colaboradores que o ajudaram na missão de evangelizar por meio da revista.

De volta à Polônia, em 08 de dezembro de 1927, junto a outros frades, começou a construção de Niepokalanow, a Cidade da Imaculada. A obra começou com a bênção da Imagem de Nossa Senhora das Graças. No seminário, ele ajudou na formação de novos religiosos e também organizou uma forma de continuar com a impressão das revistas. Além do Cavaleiro da Imaculada, editou um diário semanal, uma revista mariana infantil e outra em latim para sacerdotes.

Os trabalhos foram interrompidos com o início da Segunda Grande Guerra Mundial. A Polônia foi tomada por nazistas e, com isto, padre Maximiliano foi preso duas vezes e levado para os campos de concentração de Auschwitz, onde evangelizou até a morte. “Maksymilian Kolbe foi um dos cem padres, monges deportados pelos alemães para Auschwitz. Sua história, sua dedicação, tornou-se um símbolo que o levou à santidade. Ele foi preso aqui, em 1941”, afirmou o assessor de imprensa de Auschwitz, Pawel Sawicki.

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Em agosto daquele mesmo ano, um prisioneiro conseguiu fugir do campo de concentração. Furiosos, os soldados alemães aplicaram uma punição aos outros prisioneiros: sortearam dez presos para serem mortos. Um deles, quando soube que estava entre os sorteados, começou a chorar e clamar dizendo que tinha esposa e filhos pra criar. Foi nesse momento que Maximiliano Kolbe pediu a um dos comandantes pra ir ao lugar dele. O comandante concordou.

Maximiliano então substituiu o pai de família. Ele e os outros presos que foram sorteados para morrer foram obrigados a tirar a roupa e ficaram numa pequena, úmida e escura cela no subsolo. O objetivo era que eles morressem de fome e sede. Duas semanas depois, padre Kolbe e outros dois presos ainda sobreviviam e por isso, a decisão foi aplicar uma injeção letal. Era 14 de agosto de 1941 quando padre Maximiliano Kolbe morreu assassinado, em Auschwitz.

Hoje o local guarda velas, que representam as visitas dos papas João Paulo II e Bento XVI. O Papa Francisco também passou pelo local durante a Jornada Mundial da Juventude na Polônia, há dois anos. Por alguns minutos ele esteve em silêncio e oração refletindo sobre o sofrimento de tantas vidas que foram sacrificadas naquele lugar. Foi em 10 de outubro de 1982, na Praça São Pedro, no Vaticano, que João Paulo II declarou santo o seu conterrâneo, Maximiliano Kolbe e pronunciou que “São Maximiliano não morreu, mas deu a sua vida…”.

O Programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 7h45, com reapresentação às 10h45. Você pode acompanhar todas as edições pelo Canal Pai Eterno, no YouTube, e também assistir pelo portal paieterno.com.br, na página do Programa Pai Eterno.

Fonte: Afipe

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