História

Painel histórico Redentoristas

 

Foi com o objetivo de “cristianizar a Romaria do Barro Preto (atual Trindade)”, que o bispo de Goiás, Dom Eduardo Duarte da Silva, viajou até a Alemanha, por volta de 1891, e solicitou auxílio aos missionários da Congregação do Santíssimo Redentor. Não foi uma missão fácil. Ele visitou diversos superiores de congregações religiosas, entre eles o então Superior Geral dos Redentoristas, Pe. Matias Raus. No primeiro momento, não obteve resposta positiva.

Dom Eduardo já estava bastante desanimado. Segundo Mons. Francisco Ignácio de Souza, que acompanhou a viagem do bispo, naquela noite Pe. Matias teve um sonho com o fundador da congregação, Santo Afonso Maria de Ligório. No dia seguinte, procurou por Dom Eduardo e recomendou que fosse a Baviera e lá conversasse com o Superior Provincial, Pe. Antônio Shopf, que enviaria um grupo de missionários para Goiás.

Dom Eduardo, então, acertou os detalhes da viagem do grupo ao Brasil. Logo, tomou conhecimento que metade daquele grupo deveria ficar em São Paulo. Para Goiás, os designados foram: Gebbardo Wiggerman (Superior), João da Mata Spath, Miguel Siebler e o clérigo Lourenço Hubbauer, além dos irmãos Norberto Waggenlehner, Ulrico Kammeier, Gebardo Konzet e Floriano Grilhist.

O grupo de missionários pioneiros reuniu-se no convento bávaro de Gars, em 20 de setembro de 1894, e recebeu a visita do Superior Geral com orientações sobre os desafios que iriam enfrentar no Brasil. Pe. Matias deixou uma bênção, que certamente era a bênção do próprio Santo Afonso de Ligório, para os mais abandonados, os esquecidos das montanhas de Nápoles e, a partir daquele momento, também do sertão brasileiro. Após um ano no Brasil, Pe. Gebbardo declarou: “Estou seriamente tentado a afirmar que a Congregação foi fundada especialmente para o Brasil”.

Foram 16 dias de viagem. A chegada ao Rio de Janeiro (RJ) aconteceu em 21 de outubro daquele ano. Os que iam para Goiás partiram do Rio em 5 de novembro. Seguiram de trem para Uberaba (MG), na companhia de Dom Eduardo, em uma viagem de dois dias. Dali, eles partiram a cavalo, em 17 de novembro, rumo a Campininhas de Goiás. A viagem de 480 quilômetros durou 26 dias. A saga terminou às 13h do dia 12 de dezembro de 1894. Chovia copiosamente. Completamente encharcados, os Missionários Redentoristas chegaram ao destino. Foram recepcionados pelo vigário, Pe. Inácio de Souza. Diante da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, repletos de gratidão a Deus e à Virgem Maria, entoaram o Te Deum, um hino de louvores a Deus. A viagem dos religiosos até o coração do Brasil chegou ao fim para que tivesse início a missão redentorista no Brasil.

Em 29 de maio de 1895, aconteceu a entrada oficial dos Missionários Redentoristas em Barro Preto, mas somente em 1924 os religiosos passaram a ter residência fixa na cidade, que já era conhecida como Trindade. A presença dos Redentoristas, padres e irmãos, e do espírito de Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação, aos poucos, transformou a realidade da Romaria do Divino Pai Eterno que, naquela época, era conhecida apenas como Romaria do Barro Preto. Iniciou-se, então, um processo de educação na fé dos fiéis, criando novas comunidades, auxiliando na organização eclesial da diocese, instituindo novas paróquias e atendendo, sem medir esforços, a todo o povo de Deus, sem se importar com a distância, difundindo, assim, a devoção ao Divino Pai Eterno.