Evangelização

Entrevista especial: Desafios da missão evangelizadora

Pe. Carlos José de Oliveira está em Portugal e conta como está seu trabalho pastoral por lá.

O Missionário Redentorista Pe. Carlos José de Oliveira está nesta missão religiosa desde 2007, quando recebeu a ordenação sacerdotal. Há um ano e meio, ele está em Portugal, na cidade de Amadora, trabalhando na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Em seu trabalho, o padre tem encontrado corações abertos para que a evangelização aconteça e que o pedido do Papa Francisco se cumpra, de ter uma Igreja em saída, que vai à busca dos que mais precisam.

Qual a importância do trabalho missionário? Quais são as principais atividades realizadas na sua missão em Portugal?

Pe. Carlos José: O trabalho missionário realizado por nós em todas as comunidades que estamos inseridos  é de suma importância para a vitalidade da Igreja, que tem por vocação ser missionária. Uma Igreja em saída, como nos pede o Papa Francisco. Seguimos os passos do Redentor que nos envia em missão, onde Ele mesmo deveria ir. Onde somos enviados, levamos a Boa Notícia do Evangelho de forma dinâmica e alegre. Aqui em Portugal, neste primeiro contato, tenho colocado em prática o método “Ver, julgar, agir, celebrar”. Portanto, minha missão ainda está focada no ver, observar a dinâmica da Igreja portuguesa nas suas diferentes propostas de Evangelização que, em especial neste triênio 2017-2020, tem como ponto central fazer da Igreja uma rede de relações fraternas. Neste ano pastoral, ajudar nossas comunidades a fazer da Palavra de  Deus o lugar onde nasce a fé. Meu trabalho missionário sofre o impacto do processo de envelhecimento das pessoas da comunidade na qual trabalho. Isso diminui a dinâmica, mas por outro lado instiga a repensar o trabalho missionário que precisa ser um trabalho gerador de vida e de sonhos nas pessoas que sofrem de solidão e que, muitas vezes, só tem a Igreja como espaço de socialização. Criei aqui a Novena Perpétua de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que tem tido uma boa resposta. Neste primeiro ano de trabalho, as pessoas se identificam com a linguagem simples que toca a vida e o coração, bem como, nossa Novena de Natal em Família, que tem como referência o encontro das famílias quebrando o isolamento e abrindo espaço ao diálogo muito importante nos dias de hoje para a evangelização.

Quais são os maiores desafios de evangelizar em uma terra estrangeira, ainda que Portugal seja um país tradicionalmente católico? 

Desafios existem em todo o lugar. Onde existe a pessoa humana, ali está a missão de tirar as sandálias porque o lugar que está sendo tocado é sagrado. Porém, ser estrangeiro nos desafia a acolher o novo, desinstalar, desacomodar o coração e o quanto isto nos custa. O povo de Deus por muito tempo foi estrangeiro, mas o tempo verbal usado no passado pode ser questionado, se nos sentimos ainda estrangeiros esperando o que nos é prometido na Palavra àqueles que amam a Deus: olhos não viram, ouvidos não ouviram e coração humano imaginou, viemos do coração do Pai e para lá vamos retornando. E como afirma Santo Agostinho, o nosso coração vive inquieto por aquela pátria enquanto não retornarmos para lá. Um dos desafios aqui é o modelo de Igreja diferente do que experimentei no Brasil. Não quero comparar, pois onde há comparações, um sempre acaba perdendo. Porém, há desafios grandes começando pela nossa maneira de falar, passando pelo nosso jeito de evangelizar de forma alegre em uma terra de cultura próxima e, ao mesmo tempo, diferente da nossa. Há incompreensões, mas, ao mesmo tempo,  compreendem a necessidade do novo que chega. Corre-se o risco de querer impor nosso jeito de ser Igreja.

Como o senhor se sente por fazer parte deste trabalho missionário? 

Eu me sinto feliz em poder ajudar aqui. Nossa Congregação Missionária, seguindo a estimativa do país, tem envelhecido nestas terras. Somos quatro confrades missionários do Brasil aqui, temos uma missão de trabalhar em um projeto vocacional e esbarramos na falta de vocações e de jovens no coração da Igreja.

Há alguma outra missão já agendada depois desta? O senhor tem vontade de voltar a evangelizar em Goiás?

Nossa vida depende da organização da Província  de Goiás e da União dos Redentoristas do Brasil (URB). Ainda não conversamos sobre missões posteriores. Sobre voltar a evangelizar em Goiás. Lá é o meu estado, a minha terra, minha cultura, o meu povo que amo e trago no coração. Sobre voltar a Goiás, cito a música do cantor e compositor Almir Sater, tocando em frente “Penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha, e ir tocando em frente como um velho boiadeiro levando a boiada, eu vou tocando os dias pela longa estrada  eu vou,  estrada eu sou.. um dia a gente chega e no outro vai embora”. Agradeço a oportunidade de poder dizer algumas palavras do meu trabalho missionário aqui em Portugal.

Fotos: Arquivo Pessoal

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