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Alerta aos pais: Até que ponto o uso da internet é positivo?

As crianças e os adolescentes de hoje vivem com o celular na mão. É preciso ficar de olho no que estão acessando!

Uma cena comum nos dias atuais são crianças – desde bem pequenas – com o celular nas mãos e uma habilidade tecnológica cada vez mais precoce e impressionante. O acesso à tecnologia tornou-se praticamente inevitável, o que é algo positivo, e o aparelho celular passou a ser uma alternativa de “sossego” para os pais e mães que nem sempre têm tempo suficiente para lidar com a energia dos pequenos, o que passa a ser preocupante. Enquanto isso, as crianças vivem em um universo online, que, segundo o alerta da psicóloga especialista em Gestalt-terapia, Lilian Cristina Marçal Ribeiro, é melhor que seja bem monitorado pelos pais.

São inúmeros conteúdos virtuais disponíveis a um toque na tela do celular. A “modinha” da vez dita a boneca, o brinquedo, a brincadeira, a música hit do momento e as crianças ficam vidradas em canais de vídeos e jogos. Mas até que ponto isso é positivo? Pais e responsáveis acompanham de perto e sabem o que essas crianças estão realmente assistindo? Elas contam, comentam sobre tudo o que veem? Quais efeitos isso causa no desenvolvimento e comportamento infantil?

De acordo com a psicóloga, a melhor estratégia para responder essas perguntas sempre será o diálogo entre pais e filhos. “Para enfrentar esse mundo virtual, os pais devem fazer o que sempre fizeram seus pais e os pais de seus pais, isto é, recomendar para que ‘não falem com estranhos’. Está é uma recomendação que existe desde que o homem aliou o poder da fala à capacidade de locomoção. É preciso estar por perto e atento, construir com os filhos uma verdadeira intimidade, ou seja, uma conexão baseada na confiança mútua. Deve haver uma conversa aberta, sincera e frequente com os filhos, a fim de mostrar-lhes os perigos, os benefícios e a importância de se usar essas ferramentas modernas com segurança”, pontua  Lilian Cristina.

Ainda segundo a especialista, o mundo virtual é tão perigoso quanto o real. “Os pais precisam ensinar seus filhos a lidar com os perigos decorrentes da exposição da própria imagem, da intimidade, das consequências de atitudes agressivas (Cyberbullying) contra os colegas, acesso a conteúdos inadequados para a idade (pornografia). Como a internet é um espaço público, é propício ainda o contato com pessoas estranhas de índole duvidosa, o que constitui riscos à integridade das crianças e adolescentes”, ressalta.

Mãe do Lorenzzo Silva Rodrigues, seis anos, e do Bernardo Silva Rodrigues, um ano e cinco meses, Ludmylla Soares Silva está começando a ter que impor limites no uso do celular dentro de casa. Ela conta que os últimos acontecimentos noticiados deixaram ela e o pai dos meninos, Eduardo Afonso Rodrigues, bem assustados e preocupados. “Quando eu li sobre a boneca Momo, o que ela dizia e notei que os vídeos eram os que os meus filhos assistiam, eu logo tomei providências. Inicialmente eu proibi o uso. Chamei o Lorenzzo para uma conversa, ele me contou que já tinha visto e tinha ficado com medo. Inclusive, notei que ele teve pesadelos. Perdi noite de sono pensando na melhor forma de agir e orientá-lo. Expliquei o que estava acontecendo, falei sobre os perigos da internet de forma que ele entendesse. Daí em diante, estou bem atenta! Além de muita conversa, dedicação maior do meu tempo e atenção, estou tentando diminuir o uso do celular e incentivando outras atividades, brincadeiras, passeio no parque, cinema, bola, piscina. Não é fácil, ele fica chateado, chora, faz chantagem comigo, mas estamos seguindo”, relata a mãe.

Adolescência com celular na mão

Já na casa da professora e escritora Daniela de Brito, os filhos são adolescentes. João Vitor Seixo de Brito Fernandes, 16 anos, e João Gabriel Seixo de Brito Fernandes, 15 anos. Eles não são diferentes da maioria das pessoas de hoje, o celular é um grande companheiro! Mas, sempre de olho nos dois, a mãe dá seu jeitinho de amenizar essa relação tão próxima ao aparelho. “Não queremos filhos, crianças alheias à tecnologia, mas queremos mostrar que existe um mundo lá fora. Às vezes, eu vejo que estão muito no celular e digo que precisam socializar, de olho no olho, sorrir, dar um abraço, passear com amigos. Acho que quando apresento outras opções mais bacanas, eles aceitam com mais facilidade e começam a perceber que o mundo tem outras formas de alegria, convivência e lazer”, afirma.

Entre essas opções, a mãe busca na Literatura uma aliada e um leque de possibilidades. “Apesar de estarem grandes, eu chamo para ler alguma coisa e isso aproxima muito pais e filhos. Lemos segurando nas mãos, juntos até hoje. Aquele costume antigo de contar história antes de dormir é muito legal, aproxima muito, e podemos discutir vários assuntos da vida que podem surgir a partir das leituras”, conta Daniela.

Mais um alerta!

Outro ponto relevante abordado pela psicóloga Lilian Cristina é o exemplo que os pais precisam dar. “Têm que ser coerentes quanto ao que ensinam e fazem. Nós, adultos, lidamos com a tecnologia também, precisamos disso, mas é preciso também repensar, como pais, sobre o tempo de uso e o que pode ser publicizado sobre a intimidade das nossas vidas”. Ela deixa uma dica importante: “A família pode criar momentos em que o celular seja desligado, por exemplo: às refeições, nos encontros com amigos, horários de repouso. Outra opção seria propor jogos que não se utilize a internet para promover a interação familiar. Enfim, uma relação que envolva o diálogo harmonioso, respeitoso e o bom senso. Provavelmente, isso contribuirá para resolver situações conflitantes”.

Apesar de às vezes ser chamada atenção pelos próprios filhos, por estar muito tempo ao celular, a escritora mostra que está tentando seguir o caminho certo com os filhos. “Eu tenho me organizado para não perder momentos e oportunidades de convivência com a minha família. Quando eu era mais nova, eu sempre levava um livro comigo. Hoje, é muito triste, as pessoas sempre estão segurando um celular em uma sala de espera, por exemplo. Não tem socialização, conversa… E este é o exemplo que damos aos nossos filhos.  Então, eu voltei a carregar um livro no carro, na bolsa e quando estou em um momento de espera eu leio e incentivo que façam o mesmo”, conclui Daniela.

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