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Respeito às diferenças é fundamental!

Hoje, 21 de março, é o Dia Internacional da Síndrome de Down e o Dia Internacional contra a Discriminação Racial.

Sabe uma daquelas histórias que, quando a gente ouve, enche o coração de emoção e parece que caiu um cisco no olho? Pois é, aqui está uma! A costureira Kátia Gonçalves da Silva Pereira é mãe da Kamila Gabrielly da Silva Pereira, portadora da Síndrome de Down. Ela tem apenas nove anos e, diariamente, ensina uma lição de superação e é inspiração para a família, além de todos que convivem com ela.

A mãe só soube da síndrome quando a filha nasceu. Segundo ela, a sensação foi de medo. “Fiquei sem saber se eu conseguiria defendê-la desse mundo, foi um sentimento de impotência. Até hoje eu sinto isso, mas eu não a vejo como uma criança diferente, com Down. Não enxergo dificuldades e desafios na criação. Acredito que o desafio maior é o dela, que nos ensina muitas coisas. Vejo tudo como um grande aprendizado! Espero que ela estude, se forme, tenha uma profissão e seja muito feliz”, afirma.

Sobre preconceito, a mãe relata que infelizmente existe sim! Segundo ela, é mais comum por parte de adultos, que das crianças. “Já tive que enfrentar muitas coisas. Inclusive teve um fato que me marcou muito. Quando ela tinha quatro aninhos, uma noiva a convidou para ser dama de honra. Eu aceitei. A mãe do menino, que entraria com ela, disse para ele que, se ela não quisesse entrar, que era para deixá-la e entrar sozinho. Eu soube disso porque, no dia do casamento, a minha filha mais velha falou para ele ‘se ela não quiser entrar, você pega na mãozinha dela e puxa’. E ele disse: ‘Não! A minha mãe falou que não é para eu pegar na mão dela, é para eu entrar sozinho’. Aconteceu que, na hora de entrar, ele tropeçou, caiu e ela, que estava ao lado, abaixou, pegou na mãozinha dele, ajudou a levantar e o puxou para seguir até o altar. A igreja toda se levantou, aplaudiu, foi muito lindo e emocionante”, lembra.

Hoje, 21 de março, é o Dia Internacional da Síndrome de Down. De acordo a psicóloga das Obras Sociais Redentoristas apoiadas pela Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), Regina Marta Pereira, é uma data importante para a conscientização. “Celebrar essa data é chamar a atenção especialmente das pessoas pouco informadas sobre as capacidades das pessoas com a Síndrome de Down. Não é uma doença, e não impede, de maneira nenhuma, uma vida social normal. Hoje em dia, por lei, a criança portadora de Down tem que ser matriculada em escola regular, junto com todas as outras crianças. Além do fato de essa convivência ser extremamente saudável para todos”, pontua.

Discriminação Racial

Nesta data também é celebrado o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, marcado pelo Massacre de Sharpeville, em Joanesburgo, na África do Sul, no qual negros e negras de diversas idades foram assassinados sem compaixão, durante o regime do Apartheid. De acordo com a psicóloga, as situações (Down e Discriminação Racial) parecem diferentes, mas culminam em atitudes e pensamentos que precisam ainda ser muito trabalhados na sociedade.

“O grande desafio está em perceber que ser diferente não nos torna menos que ninguém, ao contrário, nos enriquece. Fomos educados em uma cultura racista e excludente. E seguimos ainda com posturas, linguagens, atitudes extremamente preconceituosas em relação à cor da pele de uma pessoa e a qualquer deficiência que alguém venha apresentar”, ressalta.

O respeito é um dos valores essenciais nas relações humanas, porém, às vezes ainda ausente. “Cultivar o respeito por si e pelos outros permite que haja reconhecimento, aceitação, apreciação e valorização das qualidades do próximo e de seus direitos. Em outras palavras, o respeito é o reconhecimento do valor próprio e dos direitos dos indivíduos. Quando eu respeito uma pessoa, eu demonstro um sentimento de estima positiva. Portanto, respeito é fundamental e precisamos cultivar diariamente”, conclui Regina Marta.

É interessante que o processo de conscientização e ensinamentos sobre a importância do respeito comecem ainda na infância, o que é realizado nas Obras Sociais Redentoristas, segundo a psicóloga. “Em diversas situações podemos ir esclarecendo para as crianças que todas as pessoas são iguais e têm o mesmo direito. E aproveitar para mostrar diferentes pessoas, com diferentes cores, estaturas, rostos, cabelos, ir explicando que não há ninguém igual a ninguém. Isso vale para muitas outras situações. O que está em jogo é fazer com que a criança cresça aprendendo que ser diferente não deve ser encarado como problema e, sim, como algo natural e enriquecedor. Para trabalhar essas diferenças com as crianças um bom caminho é usar o que elas têm em comum, em que a criança se expressa diferente e que é importante a relação de amizade de qualquer forma”.

Aos adultos, Regina Marta aconselha: “Fique atento à linguagem e comentários que às vezes nem percebemos que fazemos e somos preconceituosos. Por exemplo: lápis cor da pele, dia de preto na folhinha, preto é ruim, serviço de preto, cabelo Bombril… etc. Ou, até mesmo dizer: aquele menino tem problema, ele é meio abobado, ele é feio, ou é meio Down….” Essas são linguagens que vão ficando no imaginário das crianças, que crescem tendo isso como crença”, pontua.

 

 

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