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Dia Mundial do Autismo: conhecer para respeitar

O chamado transtorno do espectro do autismo é uma condição neurológico, geralmente identificado […]

O chamado transtorno do espectro do autismo é uma condição neurológico, geralmente identificado na infância. De acordo com Eliane Faleiro, fonoaudióloga e musicoterapeuta, a principal característica do autismo está ligada à capacidade de se comunicar. “O indivíduo com autismo vai ter uma dificuldade tanto para compreender o que comunicam ou tentam falar com ele, quanto para expressar o que está pensando. E muitas vezes a criança ou o adulto  pode apresentar alguns comportamentos também de estereotipia motora”, afirma.

O grau de comprometimento no desenvolvimento de uma pessoa com autismo é variável, vai desde quadros mais leves até formas graves em que o paciente tem muita dificuldade de manter qualquer tipo de contato interpessoal.”Antigamente a gente falava de autismo e aspenger, hoje a nomenclatura mudou, chamamos de Transtorno do Espectro Autismo, justamente porque os autistas têm parâmetros, têm diferenças. Então é espectro no sentido que pode variar de leve até um bem grave. Sendo que o mais grave é a configuração daquela criança que é não-verbal, que ela não comunica por meio da fala e, no mais leve, ela pode acessar a comunicação oral, uma aprendizagem de leitura escrita, quase tendo um parâmetro de normalidade”, explica Eliane.

Diagnóstico

As pessoas que fazem parte do espectro autista são diagnosticadas normalmente na infância. Os principais sintomas são relacionados à capacidade de comunicação. “Se comunicar não é necessariamente ‘falar’, são indivíduos que por terem este comprometimento de acessar formas de comunicação como a fala, a escrita, ficam muito presos na comunicação não-verbal. Quando a gente vai começar a fazer o diagnóstico, junto com o médico, a primeira coisa que a gente observa é se a criança tem dificuldade de comunicação na ausência de fala, mas muitas vezes a criança se expressa de uma forma não-verbal: por meio de choro, por meio de algum comportamento como pegar na mão e levar para aquilo que ela está querendo ou aquela necessidade que precisa ser atendida”, explica Eliane.

Tratamento

O autismo não tem cura, mas com terapias diversas de uma equipe multidisciplinar, o acompanhamento da família e o atendimento médico correto, é possível que os portadores desta condição consigam ter uma melhora. Para Carla Franco, coordenadora da Organização Espaço Vida, a mudança é nítida na qualidade de vida do autista e de sua família quando esses pilares caminham juntos. “Aquilo que ele recebe na terapia, aqui no espaço, ele consegue mostrar porque tem a segurança de que, aqui, errando ou não, ele vai conseguir ter um aprendizado e a aceitação de quem ele é. A partir dessa aceitação nós podemos seguir para a mudança, para o desenvolvimento. A gente percebe também que isto acontece nitidamente aqui, as famílias também mudam muito”, pontua Carla.

A Organização Espaço Vida é uma instituição sem fins lucrativos que oferece assistência social para crianças, jovens e adultos com autismo, assim como para as suas famílias. Eliane Faleiro, além de atender pacientes que possuem esta condição, também tem um filho autista. Hoje com 18 anos, Giovane trabalha no Espaço Vida graças ao desenvolvimento que teve. “O dia que ele tem trabalhar ele mesmo coloca o despertador para às cinco e trinta da manhã. Ele se levanta, se organiza, prepara o café e é uma coisa muito interessante, pois o espaço ofereceu a oportunidade de ele ser quem ele é. Não é simplesmente ele estar ali desempenhando uma tarefa, mas ele ter uma responsabilidade enquanto pessoa, enquanto profissional, então é maravilhoso ele ser valorizado e respeitado”, destaca.

Convívio Social

Para Eliane, é importante que os familiares e os educadores, assim como a sociedade, esteja preparada para compreender o autismo e entender esta dificuldade de comunicação. “Nós que somos íntegros no sistema neurológico é que vamos ir para nível deles e, quando isto acontece, esse processo de comunicação se efetiva. Então com o Giovani sempre foi uma situação assim, eu nunca deixei de acreditar no potencial dele enquanto comunicador. É lógico que a fala dele tem fragmentos, não está com uma estrutura sintática adequada, ele não consegue fazer o relato de um caso, mesmo que seja para falar o que aconteceu na escola, o que aconteceu no shopping, mas o pouquinho que ele traz eu vou devolvendo em forma de compreensão, então essa comunicação se efetiva”, exemplifica.

Pela lei federal 13.146/15, as empresas  são obrigadas a disponibilizar atendimento prioritário para pessoas com autismo. O símbolo é um laço azul com quebra-cabeças colorido e deve ser colocado nas placas que sinalizam este tipo de atendimento. Entretanto, a adaptação ainda acontece de forma lenta e apenas algumas empresas aderiram. A sociedade ainda precisa de conscientização e conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista para evitar situações de preconceito e constrangedoras. Por exemplo, pessoas portadoras desta condição normalmente não apresentam características físicas diferentes, mas necessitam, por sua condição neurológica, de um atendimento diferenciado.

No Dia Mundial do Autismo, 2 de abril, o portal Pai Eterno espera que esta matéria possa levar mais consciência e respeito para as pessoas que fazem parte do espectro autista e suas famílias.

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