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Falta de informação é o principal motivo para familiares não doarem órgãos

A campanha Setembro Verde visa estimular a doação de órgãos esclarecendo as dúvidas e eventuais temores sobre esta atitude tão nobre

Ilustração: Ramón Fonseca

No próximo dia 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos. Por isso, desde o início do mês, as instituições de saúde de todo o País têm trabalhado na campanha: Setembro Verde. De acordo com Katiuscia Freitas, coordenadora de captação de órgãos e tecidos da Central de Transplante, o objetivo é intensificar os trabalhos em prol da doação com palestras e treinamentos. “Nós queremos sobretudo esclarecer as dúvidas e mitos em relação à doação de órgãos, pois muitas pessoas deixam de doar devido à desinformação”, explica.

Desde 2016, o estado de Goiás teve uma alta de 93% nas doações, porém a recusa de familiares para doação continua alta. “Todo o processo para autorizar a doação de órgãos é feito com muita seriedade e sensibilidade, já que se trata de um momento difícil para os familiares. No Brasil, temos um dos protocolos mais rigorosos quanto a isso, por isso as pessoas podem ficar tranquilas. Tudo é feito com responsabilidade”, afirma.

Requisitos

Para se tornar um doador de órgãos, a pessoa deve comunicar aos parentes esse seu desejo. Katiuscia explica que ter essa informação na identidade ou em documento registrado em cartório não são suficientes. Além disso, a pessoa só está apta a se tornar doadora após a confirmação da morte encefálica, popularmente conhecida como morte cerebral. “Para comprovar a morte encefálica o paciente tem que ser avaliado por três médicos diferentes. Se a família não concordar com o parecer desses profissionais, ela pode chamar um médico de confiança para também avaliar”, destaca a coordenadora.

Após a comprovação de morte encefálica, a Central de Transplantes é ativada para entrar em contato com a família para saber sobre a vontade de doar os órgãos. “Tudo tem que ser feito com rapidez, pois alguns órgãos se tornam inviáveis para doação após certo período. O coração, por exemplo, tem que ser transferido para transplante em até quatro horas”, pontua. Vale ressaltar que, no caso da doação de tecido, como as córneas, não precisa ser uma morte cerebral para se tornar doador.

De acordo com o Ministério da Saúde, é possível doar órgãos ainda em vida também. Pode ser qualquer pessoa que concorde com a doação, desde que não prejudique a sua própria saúde. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão. Pela lei, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Não parentes, só com autorização judicial.

Fila de Espera

Atualmente, a fila de espera maior por um órgão é a do rim. Cerca de 29 mil pessoas em todo o País aguardam uma doação. Toda logística para levar o órgão até um paciente envolve os bombeiros, o SAMU, a Força Área Brasileira (FAB) e tudo para que a doação seja feita com agilidade e qualidade.

Katiuscia ressalta que doar órgãos é um grande ato de altruísmo e que o seu trabalho permite presenciar a solidariedade na sua forma mais pura. “Nós queremos que, cada vez mais, as pessoas se tornem doadoras, pois é uma atitude de amor ao próximo e poderia acontecer com qualquer um. Vejo familiares que estão ali vivendo um momento de dor por terem perdido alguém, mas que, mesmo assim, escolhem ajudar outra pessoa, salvar uma vida e dar alegria para outra família”, finaliza.

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