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Artigo: A vida não se faz apenas de ganhos, mas também de perdas

Leia o artigo do reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, Pe. Robson de Oliveira

A fé nos conduz à experiência de encontro com o amor do Pai. Na dura lida do dia a dia somos sustentados, providos e cuidados por esse Deus tão amoroso. Ele não vive fora do tempo e do espaço, nem permanece alheio, olhando do alto do céu para o sofrimento humano. Ao contrário disso, em Seu contínuo movimento de amor, sai de Si para atingir as profundezas de nossa alma, que, em muitos momentos, encontra-se ferida pelo pecado do apego (Cf. Ef 4,9-10).

À medida em que nos despojamos de nós mesmos nos tornamos pessoas mais resolvidas com as perdas e menos apegadas às coisas. Não podemos perder de vista que o próprio Deus, do alto da Cruz, perdeu ao seu Filho querido (Cf. Lc 23,33-43). Inclusive, o Filho abriu mão de sua vida para que pudéssemos viver plenamente Nele (Cf. Jo 15,13). Para quem faz a experiência da fé, o fato de perder não se apresenta como uma constante nem enquanto algo bom.

Mesmo assim, é a maturidade dessa mesma fé quem nos educa sobre as perdas que fazem parte de nossa caminhada no mundo. Embora dolorosas, elas nos ensinam a pedagogia da vida, por meio de uma existência pautada pela devoção, testemunhada pela esperança e realizada conforme a sabedoria do bem viver. Quando reconhecemos, em nós, os ganhos e as perdas, as vitórias e os fracassos, os acertos e os erros cometidos: já não perdemos mais tempo cultivando ressentimentos, muito menos acumulando pensamentos ruins.

Consequentemente nos afastamos do fatalismo e tratamos logo de direcionar a nossa vida, crendo no melhor e no mais possível. Assim, os dias se tornam mais leves e seguros. Ainda que as responsabilidades aumentem, deixamos de nos cobrar tanto. Em determinados momentos, as cobranças que nos impomos são tão intensas que acabamos maltratando, não somente aos outros, mas também a nós mesmos.

Frente ao medo de perdermos – sejam pessoas, coisas ou situações – está o possível apego àquilo, acompanhado pelo sentimento de posse. No coração dos devotos precisa residir a compreensão de que nada, absolutamente nada, nos pertence nesta vida. Tudo o que temos, ainda que inscrito em nosso nome, é dom de Deus e, uma hora, será devolvido para Ele. Daí em diante conseguimos ser, cada vez mais, livres e fiéis no Amor experimentado por meio desta devoção.

O Pai Eterno nos escolheu. Como tal, tem sido leal a cada um de nós: “Tu és meu servo, eu te escolhi, e não te rejeitei; nada temas, porque estou contigo, não lances olhares desesperados, pois eu sou teu Deus; eu te fortaleço e venho em teu socorro, eu te amparo com minha destra vitoriosa” (Is 41,9-10). Diante dessa escolha precisamos compreender que determinas perdas não são tão perdidas assim, desde que as acolhamos como aprendizados, aptos a resgatarem a nossa humanidade no coração da fé.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

Presidente-Fundador da Afipe

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1 Cometários
  • Marina Resena Zgoda
    18/1/2020 - 16:02:50

    Bela mensagem Padre Robson de Oliveira.Gostei muito e’uma lição de vida.
    Muito obrigada!

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