Apoio Espiritual

Na solidão, solidários

Há momentos em nossa vida, como o que estamos passando, em que somos obrigados a estar recolhidos

Foto: Danilo Eduardo

 

O ser humano não foi feito para ficar sozinho, isolado. Tanto é que nascemos em uma família, em uma comunidade, em uma cidade. As nossas experiências vitais são sentidas nestes agrupamentos sociais, desde a hora em que nascemos até a hora que morremos.

Contudo, há momentos em nossa vida, como o que estamos passando, em que somos obrigados a estar recolhidos. Para muitos, nesta hora, bate forte no peito a solidão. Durante oração na Praça São Pedro, em 27 de março, clamando pelo fim da pandemia do coronavírus, o Papa Francisco afirmou que nós “avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente”. E que “ninguém se salva sozinho”. Estas foram apenas umas das belas e tocantes palavras pronunciadas pelo Santo Padre.

Diante disso, eu fiquei pensando nas palavras: solidão, solitários, solidariedade, solidários. São palavras muito próximas na língua portuguesa e que nos apontam para caminhos distintos. Das pessoas que estão sozinhas, em solidão… dizemos solitários. Das pessoas que praticam a solidariedade, são altruístas… dizemos solidários.

Existem pessoas que escolheram viver na solidão para estar mais próximas da humanidade, para contemplar a face do Pai Eterno por meio do silêncio. Estes são os eremitas. De forma comunitária, mas em estilo contemplativo e recolhido, nós encontramos os membros da vida monástica, os monges e monjas espalhados pelo mundo inteiro em oração. Na história do cristianismo encontramos vários homens e mulheres que na solidão encontraram o sentido de suas vidas e ajudaram a humanidade, mesmo sem encontrar ninguém.

Grandes místicos nos ajudaram a entender a solidão. Do Carmelo, nós encontramos a sabedoria dos mestres espirituais São João da Cruz e Santa Teresa de Jesus, que viam na clausura um lugar privilegiado, o “recanto de solidão” para escutar a voz de Deus e viver a “a solidão sonora e música silenciosa”.

São Paulo da Cruz, antes de partir para o céu, em seu testamento espiritual, desejou a seus filhos que florescesse “na Congregação o espírito de oração, solidão e pobreza”. Contemporâneo e também fundador, Santo Afonso Maria de Ligório ensina que “se quisermos, pois, ouvir a voz de Deus, amemos a solidão e procuremos, o mais possível, ter vida retirada a fim de tratarmos a sós com Deus”.

Thomas Merton, já mais próximo do nosso tempo, afirmava que até a fé tem sua própria solidão e, por meio da oração, sentia que a sua única “obrigação é não parar de avançar, crescer interiormente, rezar, livrar-me de apegos e desafiar os medos”. Ele também desejava “abrir novos horizontes a qualquer custo, desejar isso e deixar que o Espírito Santo se encarregue do resto”.

Evoquei estes místicos e intercessores para deixar uma mensagem muito simples ao seu coração: na solidão, sejamos solidários. Assim como eles foram no seu tempo! Hoje, a solidão já é expressão de solidariedade. É solidariedade de quem: está em casa pensando no bem do outro; das famílias que se resguardam pensando no bem dos seus; e também dos muitos irmãos e irmãs que foram infectados pelo coronavírus e que devem cumprir o seu isolamento. Se você sente sozinho, o Pai Eterno é a sua constante companhia e lhe inspira, por meio da oração, a retomar os propósitos de sua vida. Não temas, Ele está conosco!

 

Marcus Tullius
Apresentador da TV Pai Eterno 

 


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