Apoio Espiritual

Na pandemia é a solidariedade quem nos cura

Na solidariedade se encontra a revelação do amor divino por cada pessoa e a verdade sobre a sua existência

A solidariedade vem do Evangelho. Nela assumimos o ser solidário de Cristo. Em sua origem, a palavra solidariedade é derivada do francês solidarité, que se remete à ajuda, ao apoio, ao amparo, ao socorro e à proteção de todos, em especial, dos mais pobres e vulneráveis (Cf. Mt 25,35-40; Lc 3,10-11; Ef 4,28; Tg 2,14-17).  Mas, não é só isso. A solidariedade também se traduz em gestos concretos de amizade, de companheirismo e, principalmente, de fraternidade (Cf. Lc 6,38; Jo 15,12; Rm 12,9-21; Gl 6,2). Igualmente, a estrada solidária da fé também é feita pela coparticipação, correspondência e corresponsabilidade diante do sofrimento que todos estão enfrentando, devido ao Coronavírus (Cf. Eclo 4,9-12; At 2,42-47; Hb 10,24-25; 1 Ts 5,14).

Mais profundamente, a solidariedade fala da nossa pertença ao Deus que, acima de tudo, se solidarizou conosco. Pertencemos a Ele porque nos consagramos, mediante uma entrega fiel, devotada e autêntica, desde o nosso batismo. Em um mundo onde a maioria das relações é momentânea, onde os afetos são tão ligeiros, onde a realidade se apresenta de modo superficial: a nossa vocação de devotos se reflete no fato de sermos filhos do Divino Pai Eterno. Eis aí o maior tesouro que temos e “esse tesouro nós o levamos em vasos de barro, para que todos reconheçam que esse incomparável poder pertence a Deus e não é propriedade nossa” (II Cor 4,7).

Ao menos para nós, sem a devoção ao Divino Pai Eterno não há solidariedade que se sustente. Quando conhecida, respondida e vivenciada, ela passa a nos remeter ao fundamento da nossa própria missão. Todas as atitudes e até mesmo a convivência cotidiana são por ela ressignificadas. Nela acolhemos o chamamento que Deus nos faz, conforme a sua santa vontade, para evangelizarmos sempre mais (Cf. Jr 1,5; At 2,38-39; Rm 8,28-30; Fl 1,6). Às vezes, pensamos que os pobres são os outros. E, com isso, desaprendemos que fomos nós os primeiros desprovidos que o Pai chamou e enviou para evangelizar. “Não foi Deus quem escolheu os que são pobres aos olhos do mundo, para torná-los ricos na fé e herdeiros do Reino que Ele prometeu àqueles que O amam?” (Tg 2,5).

Vivemos em um mundo ferido pelo Coronavírus. Independentemente de quem causou a lesão, precisamos reconhecer que ferimento se cura com o remédio da solidariedade. A dimensão solidária da vida não se faz apenas com ajudas ocasionais aos mais próximos, com laços isolados de amizade ou, ainda, com simples partilhas de mantimentos. A solidariedade tem a ver com um movimento de encontro consigo e com os outros, sem esquecer de que o fundamento desse encontro está no amor do Pai Eterno. Vinculados a Ele aprendemos a nos vincular aos outros, sem maiores reservas e sem requisitos prévios. Não há imposição de condições para o bom exercício da solidariedade. “Quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele” (I Jo 4,16b).

Na solidariedade se encontra a revelação do amor divino por cada pessoa e a verdade sobre a sua existência. Diante de um ato solidário ninguém se sente abandonado nem entregue à própria sorte. É em nós que as mãos solidárias de Deus se fazem presentes no mundo. Algo que só se realizada servindo: “o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir, e para dar a Sua vida como resgate em favor de muitos (Mt 20,28). Não podemos perder de vista que a solidariedade é destinada aos feridos deste mundo. Àqueles que têm as suas vidas marcadas pela pobreza absoluta, cujo desespero maior é a fome. Pessoas que estão sem dormir, sem trabalhar e que, mesmo assim, precisam permanecer em isolamento para não se infectarem nem infectarem aos seus. É a elas que a nossa solidariedade precisa chegar.

Que cada um de nós, dentro de nossas possibilidades, possamos assumir a tarefa de agir solidariamente: não acumulando mantimentos em casa, distribuindo com quem nada possui, assumindo trabalhos voluntários, contribuindo com a evangelização, doando para instituições comprometidas com a justiça social, alertando aos familiares e amigos sobre os riscos da pandemia. E, acima de tudo, a quem for possível, permanecendo em casa. Assim, a nossa solidariedade não passa o vírus adiante. Enquanto não possuímos uma vacina, a conscientização e a solidariedade são os meios mais eficazes para combatermos a pandemia. Que permaneçamos firmes e unidos neste propósito tão divino!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

Presidente-Fundador da Associação Filhos do Pai Eterno


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