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“Na hora da dificuldade, é no colo de Maria que encontramos conforto”, afirma padre

Missionário Redentorista Pe. João Paulo dos Santos Souza fala sobre a presença de Maria nas Sagradas Escrituras. Confira entrevista!

Em maio, a Igreja Católica vivencia o Mês Mariano. Nossa Senhora é celebrada em seus vários títulos e devoções. O Missionário Redentorista Pe. João Paulo dos Santos Souza é biblista e fala em entrevista especial sobre a presença de Maria nas Sagradas Escrituras. Sobre a devoção, ele ressalta que Maria é exemplo para Igreja, modelo de fé, sensibilidade, de alegria e força. Confira entrevista completa:

Pe. João Paulo, como nós podemos olhar para essa figura tão importante, que é a Virgem Maria, nas páginas da Bíblia?

Pe. João Paulo: A nossa devoção à Maria é alicerçada, fundamentada nas Sagradas Escrituras. Então, é bom que a gente conheça um pouco do que a Escritura nos mostra desta figura tão importante na nossa vida, no nosso modo de acolher e expressar a nossa fé em Jesus Cristo. Então, é importante fazermos um percurso de como a Bíblia nos apresenta essa figura.

E como nós podemos observar o papel que Maria desempenha na história da salvação?

Pe. João Paulo: Quando olhamos as Escrituras, vemos que, com o passar do tempo, a comunidade cristã vai compreendendo a missão de Maria. Se pegarmos os textos mais antigos e os mais recentes, ou seja, as Cartas de Paulo até o Evangelho de São João, nós temos uma evolução no modo de compreender a figura de Maria, que sempre é apresentada como aquela que acolhe a vontade de Deus e, que por meio dela, se realiza a promessa divina feita à humanidade. Como nós sabemos, a encarnação do Verbo se deu pela disposição de Maria em aceitar gerar no seu ventre o Filho Jesus. Então, por exemplo, se pegarmos as cartas de Paulo, quase não vemos a figura de Maria, as presenças são de forma indireta e cheias de significados. Por exemplo, quando vemos a carta de Filipenses, que diz que ele tinha condição divina, mas não se apegou a seu ser semelhante a Deus, mas esvaziou-se tomando a condição de cego, de um modo ou de outro, nós temos uma referência a Maria, porque está se referindo ao evento da encarnação. Na plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, nascido de uma mulher. Então, nas cartas de Paulo, as mais recentes, não temos uma referência direta, mas indiretamente nos fala desse mistério da encarnação, porque Paulo está centrado neste mistério de Jesus. Mais tarde é que a comunidade sente necessidade de saber quem é Jesus Crucificado. Então, são textos de Maria que vão nos mostrar isso de modo mais claro.

Olhando para o Antigo Testamento, escrito antes da encarnação da Virgem Maria, nós podemos encontrar alguma figura de Maria e podemos compreender como ela é prefigurada e esta figura ser relacionada a Nossa Senhora?  Ou seja, no Antigo Testamento achamos pistas de alguém que tivesse aquele mesmo delineamento que depois podemos identificar como a Virgem Maria?

Pe. João Paulo: Se pegarmos o profeta Isaías e o Novo Testamento, como nós sabemos, ele é composto nesta dimensão de promessa e cumprimento. A figura da Virgem, que deveria conceder à luz um Filho, nós identificamos aí a figura em Maria. Portanto, Maria é aquela, por meio da qual se cumpre a promessa divina. Aliás, o Evangelho de Mateus, muito diretamente, cita o profeta Isaías: “Eis que uma Virgem dará à luz um Filho e será chamado Emanuel, Deus conosco”. Então, o Antigo Testamento também tinha, sobretudo, sobre os profetas, essa promessa de um Filho, que seria concebido por meio de uma Virgem. E, no Novo Testamento, nós podemos ver essa imagem sobre Maria.

E como podemos compreender melhor a relação entre Maria e Jesus?  

Pe. João Paulo: À medida que o tempo vai passando, a comunidade vai elaborando melhor a figura, o lugar e a importância de Maria. Eu disse, que as cartas de Paulo não fazem referência direta, se observamos o Evangelho de Marcos, que é o texto evangélico mais antigo, também ali a figura de Maria fica muito tímida. Nós poderíamos dizer que temos duas referências ali e talvez temos um escritor com medo de que essa figura fosse confundida, e por isso não elabora bem. A primeira referência é aquela quando a Mãe de Jesus e seus irmãos estão à Sua procura, quando Jesus está em uma casa, alguém avisa Jesus que Seus irmãos e Sua Mãe estão ali. A resposta Dele é: Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos? E diz: Aquele que faz a vontade de Deus é meu irmão e minha mãe! Alguns interpretam de modo equivocado e dizem que aqui estaria diminuindo a importância de Maria, quando na verdade não tem nada disso. Jesus apenas diz que o vínculo com Ele se dá através de Deus. Quando olhamos o Evangelho de Lucas, que já é bem mais recente, a figura de Maria já é apresentada como grande modelo de seguimento de Jesus, muito mais que ser Mãe, é ser pessoa que acolhe e faz a vontade de Deus.

O mês de maio é muito especial para os católicos, pois celebramos além do Dia das Mães, muitas festas de Nossa Senhora, durante todo o mês. Qual mensagem o Senhor deixa para o devotos neste mês tão bonito?

Pe. João Paulo: A primeira coisa que eu acho que todos nós devemos ter é muita tranquilidade ao manifestar o nosso carinho e a nossa devoção à Maria, que carinhosamente, chamamos de Nossa Senhora. Muitas vezes, tem pessoas que se sentem intimidadas ou até envergonhadas em viver a sua devoção a Nossa Senhora, como medo de ser idólatra. Se eu tenho uma Imagem de Nossa Senhora, se eu rezo o Terço, nem por isso eu sou idólatra, pois a própria Escritura nos ensina a reconhecer que ela é cheia de graça, bendita entre as mulheres, porque acreditou e por meio dela se cumpriu a promessa. A segunda mensagem é que Maria jamais quer ocupar o lugar de Deus. Ela sabe o seu lugar como modelo e, sobretudo, ela é modelo da Igreja, a Igreja sensível, que se disponibiliza para ajudar os que precisam, a Igreja do cuidado, alegre. Então, temos que olhar para Maria e ver este modelo. Muitas vezes, pensamos que temos uma fé muito elaborada, muito racional, mas na hora da dificuldade é sempre no colo de Maria que encontramos o conforto necessário para passar pelos momentos difíceis. Então, não tenhamos medo de manifestar a nossa devoção e o nosso carinho. Ela é, para nós, modelo, caminho seguro para nos encontrar e viver a nossa comunhão com Jesus.

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