Prestação de Contas

Pe. André Ricardo de Melo falou ao jornal O Popular

Em entrevista à jornalista Malu Longo, o presidente da Afipe, Pe. André Ricardo de Melo, falou ao jornal O Popular. A publicação é desta quarta-feira, 21. Confira!

“Não há prazo para terminar a construção da Basílica”, diz novo presidente da Afipe

Novo gestor de associação fala sobre andamento de trabalhos e auditoria que é feita na instituição

Nesta entrevista ao POPULAR, pela primeira vez o provincial da Congregação Santíssimo Redentor e presidente da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), padre André Ricardo de Melo, fala sobre o andamento das obras do novo Santuário Basílica de Trindade, uma megaconstrução numa área de 15 alqueires, que irá comportar cerca de 300 mil pessoas em todo o complexo. Com a deflagração pelo Ministério Público do Estado de Goiás da Operação Vendilhões destinada a apurar desvios na entidade, a Afipe viu despencar em quase 80% o volume de doações, recursos essenciais para que a obra saia do papel.

JORNAL O POPULAR: Quando as obras do novo Santuário começaram, em 2012, havia a projeção de custo de R$ 100 milhões. Em agosto, o padre Robson de Oliveira disse ao Fantástico que esse valor poderia chegar a R$ 1,4 bilhão. Qual é a real estimativa?

PE. ANDRÉ RICARDO: Não fazemos ideia de como houve essa mudança no valor previsto da obra. Como ainda estamos entendendo todas as situações que envolvem a Afipe e a própria obra, este caso também está sendo apurado.

JORNAL O POPULAR: Quanto foi investido até o momento?

PE. ANDRÉ RICARDO: Desde o começo da obra, o valor investido foi de R$ 202.278.995,31.

JORNAL O POPULAR: A previsão, em 2012, era de que as obras seriam concluídas em dez anos. Oito anos já se passaram. O que levou ao atraso?

PE. ANDRÉ RICARDO: Importante esclarecer que essa é uma obra para 15, 20 anos de construção. Ela está atrasada em torno de 4 anos. E, segundo a construtora, já foi cumprido 30% do cronograma. Dois aspectos provocaram o atraso na obra: 1) o início da obra foi atrasado em virtude da não liberação de alvará de construção. Uma pessoa fez um pedido para estudo de lavras na área prevista para a construção da Basílica. Qualquer pessoa pode fazer esse pedido aos órgãos competentes para estudo de uma determinada área em busca de minério, sendo esta área de sua propriedade ou não. A ação atrasou a liberação do alvará da construção da Basílica e o início das obras em cerca de dois anos. 2) Foi contratada uma equipe de engenheiros e arquitetos. Houve equívocos no projeto identificados quando a obra já tinha sido iniciada. Até hoje estão sendo feitas adequações. Esta empresa teve o contrato rescindido e a partir daí foi feito o processo de contratação de uma nova empresa, processo que demorou mais dois anos. Ao assumir a obra, a nova empresa começou um estudo para avaliar a qualidade e dar seguimento.

Se não tivesse acontecido tudo isso, a obra demoraria mais 10, 12 anos, agora não há data prevista para o término. Por isso, as doações são fundamentais. Fazemos um apelo aos nossos fieis, aos devotos do Pai Eterno, por mais que queiramos, sem eles, a nossa Basílica não será finalizada.

JORNAL O POPULAR: O que já foi feito até agora?

PE. ANDRÉ RICARDO: Segundo os engenheiros da obra, estamos com 30% do cronograma cumprido. A parte da escavação foi concluída, a parte da estrutura está 75% pronta, e já se pode ver os pilares da nova Basílica surgindo.

JORNAL O POPULAR: Em que ritmo a obra prossegue?

PE. ANDRÉ RICARDO: Precisamos entender a realidade da pandemia. Por causa dela, o ritmo já havia sido reduzido. Antes, cerca de 200 pessoas trabalhavam lá e hoje temos 60 operários. O respeito ao distanciamento e as regras de proteção conta Covid-19 nos exigiram essa conduta. A segunda questão é a financeira, que impacta diretamente a obra. A Afipe tem algum recurso em caixa, mas tem também os compromissos diários de manutenção mensal da TV Pai Eterno, manutenção da entidade e também as despesas da obra. O andamento da construção depende de todos esses fatores e, principalmente, das doações, que são delas os recursos para erguer o Santuário. Temos um longo caminho pela frente, que será trilhado com fé e muita dedicação. Esta é uma obra do Pai Eterno e edificada em sua devoção, e assim seguiremos.

JORNAL O POPULAR: Quando a construção foi anunciada, o então presidente da Afipe disse que o Santuário seria erguido com o dinheiro de doações de fieis. Essa ainda é a ideia?

PE. ANDRÉ RICARDO: É o que tem sido feito e o que continuará a ser feito. Somente com o apoio do devoto conseguiremos erguer o novo Santuário. O desafio é imenso, na mesma proporção dessa obra grandiosa. E contamos com o devoto do Divino Pai Eterno. Continuamos o trabalho em seu nome e seguindo nossa missão de evangelizar.

JORNAL O POPULAR: No ano passado a Afipe começou a Campanha do Cimento. O que foi arrecadado nesta campanha? Ela terá continuidade?

PE. ANDRÉ RICARDO: Recebemos em doação 1.395 sacos de cimento nesta campanha. Do que foi doado, parte foi empregada na execução do aterro com solo-cimento. Essa mistura do cimento com terra melhora as características de resistência do solo e foi solicitado pelo projetista estrutural da obra.

JORNAL O POPULAR: Com a operação deflagrada pelo Ministério Público, as doações caíram? Se sim, qual foi o montante?

PE. ANDRÉ RICARDO: Sim, caíram muito. A queda de doações chegou a 75-80%. Essa queda prejudica o trabalho de evangelização, mas continuaremos com o nosso propósito com os recursos que tivermos.

JORNAL O POPULAR: Em entrevista ao POPULAR, o novo reitor do Santuário Basílica, padre João Paulo Santos de Souza, informou que a construção do novo Santuário seria acompanhada por um comitê. Ele já foi informado?

PE. ANDRÉ RICARDO: Ainda não. Uma resolução interna da Afipe vai estabelecer uma comissão de sacerdotes para acompanhar as obras da Basílica. E uma segunda comissão de notáveis da engenharia de Goiás vai acompanhar e aconselhar a Afipe na obra, buscando dar transparência aos devotos e à sociedade. Os nomes ainda estão sendo levantados.

JORNAL O POPULAR: O que vem sendo feito para reconquistar a confiança dos devotos?

PE. ANDRÉ RICARDO: Estamos trabalhando para resgatar essa confiança, que sabemos que foi abalada, dando 100% de transparência a tudo o que estamos fazendo. Estamos na busca de apurar os fatos para tomarmos as ações necessárias na defesa da Afipe e do devoto do Pai Eterno. Agora não podemos apenas parecer corretos, temos de ser e provar a lisura com que trabalhamos à frente da entidade, que é orgulho para a Congregação do Santíssimo Redentor de Goiás. Nossa responsabilidade e compromisso são imensos. Não decepcionaremos o devoto do Pai Eterno.

JORNAL O POPULAR: A Afipe pensa em apresentar ao público os resultados das auditorias que vêm sendo realizadas?

PE. ANDRÉ RICARDO: Sim. A Mapah Auditores Independentes está trabalhando desde o dia 5 de outubro. A decisão de contratar a Mapah para fazer a auditoria em todas as contas e processos da Afipe é fundamental para que tenhamos as respostas que vão dar condição para que possamos entender a realidade da associação.

Como a Afipe trabalhava de forma independente, as informações sobre a entidade estão sendo buscadas por nós desde que assumimos e agora contamos com o apoio de auditores independentes e absolutamente isentos. Eles vão trabalhar inicialmente no ano de 2020 e, na sequência, vão apurar os fatos dos anos anteriores. Estamos muito confiantes de que, com ela, teremos as respostas que todos buscamos. Temos como expectativa receber informações de forma regular para prestarmos contas à sociedade e, principalmente, ao devoto do Pai Eterno.

JORNAL O POPULAR: Em 2018, padre Robson de Oliveira afirmou que o sino encomendado na Polônia já estava pronto. Quando ele virá para Trindade?

PE. ANDRÉ RICARDO: Na verdade, são 73 sinos, um conjunto de 68 em carrilhão, um conjunto de 4 sinos tipo badalos em quarteto ideal e um sino de badalo chamado Vox Patris. Eles ainda estão na Polônia. A Afipe está negociando a importação

 

Fonte: Jornal O Popular

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