Entrevista

Dom Mol destaca profissionalismo da TV Pai Eterno

Ele destacou a qualidade do trabalho da “caçula” das emissoras de inspiração católica

Na comemoração do aniversário de 2 anos da TV Pai Eterno, a edição especial  do Programa Pai Eterno recebeu a participação remota do bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães. Na companhia do reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, Pe. João Paulo Santos, CSSR, os apresentadores, Pe. Welinton Silva, CSSR, e Caíza Portaluppi conversaram com o bispo sobre o desafio da mensagem do Evangelho, que é o próprio Jesus.

Dom Mol destacou a qualidade do trabalho da TV Pai Eterno no anúncio da Boa Nova e parabenizou a “caçula” das emissoras de inspiração católica: “Não posso terminar este momento sem falar da TV Pai Eterno. Ela é a mais nova, a caçula. É muito pouco tempo para ter alcançado tanta coisa. Isso é graça, porque fácil não é. Sabemos que há muitas dificuldades, muitas barreiras a serem vencidas e vocês têm um particular que tem nos agradado muito. Vocês estão atentos à Igreja, atentos a CNBB, todas as vezes que fazemos um contato estão prontos para colaborar. É gente de coração aberto, é coisa do Espírito de Deus. Que bom! E eu quero fazer esse reconhecimento. Vocês estão localizados estrategicamente no coração do País, no coração do Brasil, e podem espalhar a TV Pai Eterno para todos os cantos. É como se saíssem raízes luminosas de cada parte da TV Pai Eterno para alcançar o nosso país inteiro com a mensagem que vocês levam. Parabéns!”.

Na sequência, Pe. João Paulo Santos falou sobre o desafio de anunciar o Evangelho, que é o próprio Jesus. “Nós não comunicamos, ou não transmitimos simplesmente uma ideia. Nós anunciamos o Evangelho e o Evangelho para nós não é um livro, o Evangelho é uma Pessoa, é o próprio Jesus. E isso exige que a gente dê um passo à frente porque a gente não transmite somente aquilo que sabemos pela inteligência. Olhando para o próprio Jesus, o nosso desafio é comunicar o próprio Espírito. E sem a fidelidade à Igreja é difícil transmitir, ou comunicar o Espírito daquilo que a gente crê”, pontuou o reitor do Santuário Basílica.

Veja abaixo a entrevista, na íntegra:

Pe. Welinton Silva: Estamos próximos de celebrarmos o Dia Mundial das Comunicações. Na visão da Igreja, qual a importância dos meios de comunicação para evangelizar?

Dom Mol: Para a Igreja, os meios de comunicação eram uma ferramenta das reflexões que nasceram no Concílio Vaticano II e logo depois dele, se transformaram em um elemento estratégico no processo de evangelização. A Igreja não consegue mais evangelizar sem a comunicação aprimorada. A comunicação existe desde sempre, desde que Deus revelou-se criador de todo o mundo e todos nós sabemos disso. Mas, a comunicação, que era instrumental, é o que agora passa a ser um elemento estratégico, no sentido de fazer com que o Evangelho seja priorizado na vida das pessoas. Hoje, talvez um dos principais problemas que temos no mundo é isso. No meio de tanta informação, de tantas notícias e do alto percentual de Fake News, a Igreja usa a comunicação para dizer o que é importante, o que é essencial na vida.

Caíza Portaluppi: Podemos dizer que a relação entre religião e comunicação é íntima?

Dom Mol: Sim, podemos e devemos. Há uma diferença entre comunicação e informação. A comunicação é mais do que a informação. A informação é muito importante, inclusive, nós não conseguimos viver todas as nossas dimensões humanas sem a informação. Mas, a informação é a “noticia sobre” e a comunicação é a “relação com”. É diferente. A comunicação pede a informação, mas comunicar significa amar, revelar-se, tecer redes, relações humanas, desvelar, tirar o véu que faz sombra na verdade, para que todos possam conhecer a verdade, o Evangelho, que é Jesus Cristo. Então, a comunicação é essencial na Igreja por causa disso. Nós somos comunicação, nós tecemos relações. E como comunicadores católicos, nós precisamos caprichar na informação. O Papa Francisco, na mensagem do 55º Dia Mundial das Comunicações, diz que é necessário ir e ver. É um método. A atitude de ir já mostra a qualidade do comunicador e chegar ali e ver, constatar, conversar, compreender, fazer um processo de imersão naquela realidade para fazer emergir o significado das coisas e da vida daquelas pessoas para chegar a boa informação. A boa comunicação é ir e ver e dela nasce a boa informação, tão necessária hoje para o mundo. Os desastres, as dores, os sofrimentos das pessoas hoje no Brasil, esse tempo de peste que estamos vivendo. Peste era o nome dado à pandemia antigamente. Estamos vivendo um tempo de peste: peste biológica e essa peste da Fake News, do descaso com a vida e da inércia diante da morte de tantas pessoas, na sua grande maioria pessoas pobres. Então, mais do que nunca a Igreja precisa comunicar porque o que ela tem para comunicar é o que dá sentido à luta para a transformação de todas as coisas.

Pe. Welinton Silva: A TV Pai Eterno faz dois anos, reforçando sua importância na vida e no compromisso com a Igreja, em meio a este momento da pandemia que enfrentamos. Qual a avaliação que o senhor faz da caminhada da Igreja até hoje, porque não tem muito tempo que a Igreja assumiu com maior empenho veículos, presença, meio e mensagem, junto a um universo muito grande, do qual nós nunca imaginaríamos fazer parte pouco tempo atrás?

Dom Mol: A Igreja felizmente se despertou para a comunicação. Ela acordou. Mas, dizer que ela acordou não significa que ela já fez e já percorreu um longo caminho. O caminho mais assumidamente comunicacional da Igreja é muito recente. Alguns meios de comunicação, incluindo a internet, que é tão forte e tão significativa, as redes sociais, eles prestam um serviço muito importante e já conseguem chegar a muitos lugares, onde antes não se podia chegar. Mas, precisamos aprimorar muito o que nós fazemos, nesta perspectiva porque um veículo de comunicação da Igreja, de inspiração católica, precisa ser fiel à igreja. E isso não significa ser fiel ao passado, mas, sim ao presente da Igreja e ao que está por vir, ao futuro da Igreja. Às vezes, eu sinto que há situações em que comunicadores ou meios de comunicação puxam a Igreja um pouco para trás e isso é muito ruim. É um desserviço que presta. Criam muitas dificuldades, polêmicas. Manifestam-se de forma muito alienante, ou seja, colocam a lei e a doutrina, acima de toda e qualquer coisa, sem reconhecer aquilo que o Papa Francisco quer que vejamos, a realidade das pessoas, da vida das pessoas. “Vem e verá”, conforme João (1,46). Mas, há situações em que a comunicação avançou muito, é maravilhoso. Então, o esforço que algumas emissoras, tanto de rádio, quanto de TV, gente comprometida com as redes sociais, têm feito para oferecer qualidade, e não somente na parte técnica. O Programa Pai Eterno, por exemplo, está lindo, sob o ponto de vista técnico, as pessoas, a interação, as cores, o som, a maneira como vocês estão, tudo isso faz parte. Eu vejo a beleza de vocês apresentadores. Deus é belo. Tudo isso é muito bem cuidado. Mas, existe também uma outra qualidade, que é a do anúncio, da mensagem, a qualidade daquilo que vai junto com vocês até chegar a todas as pessoas. Não posso terminar este momento sem falar da TV Pai Eterno. Ela é a mais nova, a caçula. É muito pouco tempo para ter alcançado tanta coisa. Isso é graça, porque fácil não é. Sabemos que há muitas dificuldades, muitas barreiras a serem vencidas e vocês têm um particular que tem nos agradado muito. Vocês estão atentos à Igreja, atentos a CNBB, todas as vezes que fazemos um contato estão prontos para colaborar. É gente de coração aberto, é coisa do Espírito de Deus. Que bom! E eu quero fazer esse reconhecimento. Vocês estão localizados estrategicamente no coração do País, no coração do Brasil, e podem espalhar a TV Pai Eterno para todos os cantos. É como se saíssem raízes luminosas de cada parte da TV Pai Eterno para alcançar o nosso país inteiro com a mensagem que vocês levam. Parabéns!

Pe. João Paulo – Eu queria que o senhor falasse um pouco mais desse desafio que temos de transmitir o Evangelho, que é uma Pessoa que modifica o nosso ser quando nós nos encontramos com Ele. Como os meios de comunicação na Igreja podem possibilitar este encontro com esta Pessoa, com este Evangelho que é Jesus Cristo?

Dom Mol: É uma coisa muito interessante de fato, porque vc toca no cerne da comunicação. Na última parte da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das comunicações, ele diz assim: “nada substitui o ver pessoalmente”. E ali está uma indicação da missão do comunicador, porque ele não é um transmissor de informações, de notícias. O comunicador é um agregador de pessoas. Ele é um especialista em tecer união entre as pessoas. Ele é aquele que é capaz de dar brilho sobre as realidades que estão escondidas. São as realidades, às vezes, difíceis, desafiadoras e, às vezes, muito belas. Isso, para mim, é ser comunicador na perspectiva do Evangelho. O Papa Francisco diz assim na mensagem: “se hoje conhecemos, por exemplo, a difícil condição das minorias perseguidas em várias partes do mundo, se hoje nós conhecemos muitos abusos e injustiças contra os pobres e contra a criação, se nós sabemos de tantas guerras esquecidas, é graças ao comunicador que tem a perspectiva do Evangelho”. O comunicador, portanto, é alguém revestido do Evangelho, mas não é qualquer Evangelho. No tempo de Jesus, cada notícia que chegava do centro do império, era um evangelho que chegava por um mensageiro, que trazia as notícias do reino. Então, quando chega Jesus, Ele não chega como um jornaleiro, com um jornal na mão. Na verdade, Ele é próprio Evangelho que chega e onde Ele está, está o Reino que Ele anuncia, está o Espírito e está o Pai. O comunicador católico tem a chance de se revestir de Jesus de modo que cada comunicador, estando atrás da câmera; na mesa fazendo os cortes, os ajustes; com o microfone à frente da câmera; na rua buscando a informação; ele está revestido do Evangelho e, portanto, anunciando, não uma boa nova, mas A BOA NOVA, que é a própria pessoa de Jesus. Não há pessoa mais encantadora na história de toda a humanidade do que a pessoa de Jesus. Ele encanta a todos, quem crê, quem não crê, jovens, velhos, crianças. E se a gente sai do anúncio Dele e faz um anúncio, por exemplo, de nós mesmos, nós estamos trocando o pleno por aquilo que é parcial, o máximo pelo mínimo, o grande pelo pequeno. Então, não devemos fazer isso. Somos anunciadores do Evangelho de Jesus. E isso não acontece isoladamente, mas, sim, em comunidade eclesial, em Igreja. Por isso, eu penso que todo mundo da TV Pai Eterno deve ficar com um ouvido atento às realidades e acontecimentos e o outro à CNBB, ao Vaticano, às mensagem do Papa, dos bispos, às assembleias e assim por diante. Aí, juntando as duas coisas, nós estaremos fazendo uma excelente comunicação. E é o que eu desejo para a TV Pai Eterno sempre aperfeiçoar mais.

Assista a entrevista especial:

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