Redentoristas

Afonso: apóstolo, bispo e “Doutor Moralis”

Leia a última parte do artigo publicado pelo Fr. Euardo de Souza Montalvão, C.Ss.R, sobre a história e trajetória religiosa de Santo Afonso

PARTE III 

Afonso, apóstolo e bispo e “Doutor Moralis”.

Santo Afonso escreve a Remondini, seu impressor em Veneza e se encontram alusões à sua saúde, em 4 de julho de 1761: “Meu caro, estou velho e minha cabeça me trai. Além disso, espero a morte cada dia que passa” (REY-MERMET, 1982, p. 535). 13 de julho: “Quase todos os anos, minha saúde está ruim; quase que diariamente sou assaltado por alguma doença mortal. Assim é que aguardo a morte a cada dia” (1982, p. 535). Pois bem, a morte não vem senão com a sua nomeação para o bispado de Santa Águeda dos Godos no dia 26 de março daquele ano. Grande é a perplexidade de Afonso, que já recusou duas vezes o bispado de Palermo. Então, alguém chega para sugerir: “Mas você pode rejeitá-lo”. Nesse momento, Afonso escreve uma carta de demissão do episcopado e manda tudo ao enviado da nunciatura, não sem lhe dar uma boa gorjeta.

“Aí está, ele dirá logo depois, por causa dessa bagatela tive de perder uma hora de tempo e quatro ducados. Eu, jamais trocaria a Congregação por todos os reinos do Império otomano” (1982, p. 537). Mas Clemente XIII mantém sua ordem. Afonso submete: “Deus me quer bispo: quero ser bispo” (1982, p. 539). Um pobre bispo, em uma pobre diocese; um bispo amigo dos pobres. Diz-se que, por ocasião da sua entronização episcopal, em julho de 1762, o seu secretário mandou preparar uma boa refeição. Aquilo, não era do agrado do bispo: “Dê minha refeição aos pobres de Jesus Cristo, a fim de que o Senhor me manifeste em Roma a sua divina vontade” (1982, p. 551), seu modo ser, sua própria humildade.

Dom Ligório, começa uma reforma na sua diocese, enquanto continua dirigindo seu Instituto, ele é bispo, mas missionário, decide desde então fazer uma missão geral em todas as suas paróquias, pois como ele escreve: “O maior bem que um bispo pode proporcionar à sua diocese é providenciar a pregação das missões, sem falta, cada três anos” (1982, p.605). Todos os religiosos de sua diocese se mobilizam para missionar e, ao mesmo tempo, com paciência e energia, começam as reformas.

A primeira, reforma foi no clero e no Seminário Maior, ordenando a renovação do seu edifício devido ao seu lamentável estado, garante a eleição dos candidatos e a qualidade do ensino. Com a sua firmeza e bem-intencionado e a sua espiritualidade exigente e prática, orienta a formação dos jovens e constrói o futuro destes vocacionados. Consciente de suas obrigações, ele desperta todo o seu clero para assumir suas próprias responsabilidades perante o povo de Deus. Ele lembra aos arciprestes e párocos “a obrigação que lhes incumbe de pregar todos os domingos e em todas as festas solenes, de acordo com a prescrição do Concílio de Trento, e de pregar de forma simples e popular, adaptada à condição de seus ouvintes” (1982, p. 571).

Por fim, as paróquias são reformadas, sobretudo graças à ação perseverante das missões. Estas, em ondas sucessivas, estão remodelando a face da diocese. As visitas pastorais do bispo e seu testemunho fazem o resto, pois em toda a sua vida ele proclama Jesus Cristo. Ele multiplica os gestos de caridade, vende seus talheres, suas mulas, sua carruagem. Ele se levanta contra todas as formas de injustiça e, por outro lado, não sem sucesso: quando a fome caiu no Reino de Nápoles, verificou-se que o aumento do preço do pão em sua própria diocese, tão pobre quanto as outras, foi significativamente menor. do que no resto do Reino. Exortou também as freiras redentoristas de Scala a fundarem em Santa Águeda dos Godos: serão, por assim dizer, o núcleo firme da vida contemplativa da sua cidade episcopal e de toda a diocese.

Com a pena (seus escritos), ele evangeliza sua diocese e o mundo inteiro. O horizonte de Afonso não se limita às fronteiras de sua diocese ou aos membros de sua Congregação. É bispo de Santa Águeda dos Godos e também bispo de todo o mundo. Ele mantém uma longa correspondência com a pena. A pedido de um bispo, ele não hesitou em escrever uma obra a título de Reflexões úteis aos bispos tal como diz: “Os prelados correm o grande risco de se perderem” (1982, p. 541).

Para buscar a salvação do povo, especialmente no campo, Afonso, como São Vicente de Paulo no século anterior, conta antes de tudo com as missões paroquiais e também com os escritos que são uma missão permanente, uma missão em casa. Portanto, escreve e escreve muito.

O Escritor. Antes de seu episcopado, Afonso havia escrito 51 obras e antes mesmo de sua morte escreveria mais 60. Sim, Santo Afonso é o homem da mídia. Escreva enquanto prega, isto é, para que todos entendam. Este é o segredo do seu sucesso. Afonso escreve para o povo de linguagem simples. Em um mundo onde a maioria não sabe ler nem escrever, uma pessoa que saiba ler será o suficiente para que todos os participantes possam tirar proveito de seus escritos. Graças sobretudo a Remondini, seu impressor em Veneza, suas obras tornaram-se as “mais vendidas” em toda a Europa. Um total de 112 trabalhos com mais de 20.000 edições e em mais de 70 idiomas. Incapaz de fazer sua voz ser ouvida até os confins da terra, ele queria que lesse seus escritos onde sua pregação não poderia chegar pelo dom da sua voz.

A lista de seus escritos mais vendidos até hoje, é impressionante. Alguns entre os mais conhecidos: VISITAS AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO E À SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA. São mais de 2.000 edições e em uma ocasião de um Congresso Eucarístico, (por volta de 1744), não menos que 250.000 exemplares tiveram que ser impressos para uma única edição. AS GLÓRIAS DE MARIA. Desde sua primeira aparição em 1750, mais de 1.000 edições foram feitas, sem contar outras edições parciais. Está é a obra mariana de todos os tempos. É fruto de 16 anos de intenso trabalho colocar por escrito ao alcance do povo cristão o que ele pregou todas as semanas e meditou desde a juventude; em outras palavras, tudo o que é essencial e verdadeiramente dito na escrita e na Tradição sobre a Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. A PRÁTICA DO AMOR A JESUS ​​CRISTO. Possui 535 edições, publicado em 1768. Numa carta datada de 16 de novembro de 1777 ao seu impressor Remondini, Afonso declarou que “de todas as suas obras, esta foi, em sua opinião, a mais piedosa e a mais útil”. Seu desenvolvimento se enquadra a partir do Capítulo XII da Primeira Carta Paulina aos Coríntios. OS GRANDE MEIOS DA ORAÇÃO. Possui 238 edições. Santo Afonso gostaria de ser rico o suficiente para imprimir tantos exemplares deste livro sobre a oração quanto há cristãos no mundo. Assim, em 1757, ele escreveu aos padres napolitanos, INSTRUÇÃO E PRÁTICA DO CONFESSOR – Praxis Confessarii. Ele escreve para todos os sacerdotes da Europa e é por isso que traduz este livro para o latim com o título Homo Apostolicus. Toda a sua obra-prima neste campo está na TEOLOGIA MORAL em forma de três volumes. Existem cerca de 70.000 citações de 800 autores. A excepcional qualidade deste trabalho fará com que obtenha posteriormente o título de “Doutor da Igreja e patrono dos confessores e moralistas”. Ente outras 111 obras escritas por ele. Como os historiadores reconhecem, seus escritos contribuíram para a renovação da moral e da piedade no final do século XVIII e ao longo do século XIX.

Já, especialmente na França, os homens santos como: Santo Eugênio de Mazenod (1782-1861) (1782-1861), São Pedro Julião Eymard (1811-1868), Venerável João Cláudio Colín (1790-1875), São João Maria Vianey (1786-1859) e o Bem-aventurado Antonio Chevrier (1826-1879), serão fortemente influenciados pela moral e espiritualidade de Santo Afonso de Ligório.

O Encontro com seu Redentor. No diário íntimo de Santo Afonso: “Questões de consciência” (Cose di Coscienzia) as palavras que mais marcam na página 36 e que remontam aos anos da fundação: “Jesus me ama…” e depois duas falas abaixo: “Maria me ama…”. Este era o segredo do seu coração: Santo Afonso teve a experiência deslumbrante e cegante de ser amado pelo Senhor, de ser amado pela Virgem Maria. Sua resposta foi Amor por Amor. Quantas vezes ele para de repetir quando prega: “Deus te ama… ame-o” (Dio vi ama, ama-o). Que simples parece, mas Afonso vai até ao fim deste amor: ama a Cristo, ama os pobres, ama a Igreja tanto quanto ama a Mãe de Cristo, Maria é nossa Mãe e nossa Esperança. E ele tem uma predileção particular por aquela expressão que se encontra no fundo de seus desenhos da Virgem: “NOSSA ESPERANÇA, SALVE!”. Com Maria estará sempre o apóstolo: há mais de 200 anos que Santo Afonso morreu, e no leito de morte, 29, ele pede: “Dê-me a Madonna!” (1982, p. 714). Em seguida, recebe em suas mãos a imagem do mesmo desenho tirada de um quadro de Carlo Dolci. Ele toma-a entre as mãos, fala com ela baixinho e sorri para sua Madona.

No dia seguida, partiu com uma morte santa e expirou em paz em 1º de agosto de 1787. Contava com 90 anos, 10 meses e um dia. A torre do sino do convento Pagani toca o Angelus ao meio-dia. Afonso está extinto, mas seu fogo ainda arde no coração de seus discípulos, dos Irmãos e Padres Redentoristas e das Freiras Redentoristas de Scala.

Anos longínquos posteriores a Afonso… Em 1º de agosto de 1986, no noticiário da manhã, um locutor da televisão francesa anunciava com frieza: “Hoje, 1º de agosto, Festa de Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja e fundador da uma família religiosa que desapareceu completamente”… Este é um erro! Santo Afonso morreu está na glória celeste, mas sua Congregação está viva como sempre chegando aos 300 anos, é lembrado em todos os momentos como nas obras e na prática da oração. Faz parte das 10 congregações religiosas mais importantes do mundo, tanto pelo número de membros quanto pela expansão geográfica por todo o mundo.

 Bibliografias complementares:

– Oficina de Aprendizagem: Espiritualidade Missionária Redentorista. indivíduo. 13 julho de 2000. Santo Luis Potosí, SLP México.

– Redemptorist Spirituality, Vol. 3. Jean Marie Sègalen. Roma, Itália 1994.

Disponível original em Espanhol: https://preguntasantoral.blogspot.com/2013/08/el-santo-del-siglo-de-las-luces-san.html

UM NOVO OLHAR PARA SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO!

BISPO E FUNDADOR DA CONGREGAÇÃO DO SANTÍSSIMO REDENTOR, DOUTOR DA IGREJA E DA MORAL

Fr. Euardo de Souza Montalvão, C.Ss.R.

Tradução e adaptação do Espanhol.

13/02/2021

 

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