Pregação de Dom José Francisco Rodrigues

Bispo de Ipameri celebrou o quarto dia da Novena Solena da Romaria 2021

HOMILIA – 4º DIA DA NOVENA DO DIVINO PAI ETERNO – TRINDADE

Dom José Francisco (Bispo de Ipameri)

28/ 06/ 2021

É com grande alegria, que cumprimento a todos e a todas!

Uma saudação muito especial ao nosso Magnífico Reitor, Pe João Paulo, em nome de quem, cumprimento a todos os Redentoristas. Um cumprimento ao nosso querido arcebispo, Dom Washington. Uma alegria poder cumprimentar as religiosas aqui presente, algumas poucas pessoas, nossos seminaristas aqui presentes e você meu irmão, minha irmã que nos acompanha através dos meios de comunicação: a Rádio Difusora, TV Pai Eterno e a TV Aparecida.

Hoje nós temos alegria de Celebrar o quarto dia da nossa novena, e temos como tema central durante toda essa novena, justamente, o “Pai eterno diante de vós somos todos irmãos e irmãs”. Nascemos do coração de Deus. Jesus nos dá Deus como pai para todos nós; nos ensina a rezar o Pai Nosso e quando nós rezamos a oração do pai-nosso, nós tomamos consciência de que nós somos irmãos, porque não é uma experiência individualista, mas Comunitária. Deus que ama a cada um e deseja que todos nós, filhos e filhas, vivamos essa experiência de profunda comunhão.

O tema do dia de hoje é: para promover o diálogo e a cultura do encontro, inspirado, justamente na Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, a última que ele nos escreveu. Essa visão muito comum do papa Francisco: a Igreja em saída, já como a arcebispo de Buenos Aires o santo padre já tinha esse jeito de agir com os catequistas e, no seu ministério petrino, também traz para a igreja toda: ser uma igreja em saída, que se abre ao diálogo, o respeito uns aos outros, às culturas diferentes e às pessoas como um todo; não é possível se estabelecer um diálogo sem escutar, sem ouvir, sem acolher as pessoas. E aqui é uma proposta que o Senhor nos faz, no dia de hoje, especial para que nós também estejamos todos abertos para essa experiência do Diálogo na família, o diálogo do esposo-esposa, os filhos, irmãos, no ambiente de trabalho onde nós estamos inseridos. Essa experiência profunda com o mundo, a abertura para o mundo…

E durante tempo em que o santo padre escrevia esta carta Encíclica, aparece a pandemia do coronavírus e o Santo padre, de maneira muito inspirada, não deixa passar essa oportunidade, mas convida a humanidade toda a fazer uma reflexão muito séria. Mostra que ninguém se salva sozinho, que realmente é um tempo de se sonhar de maneira única, como humanidade, na qual somos todos irmãos e irmãs.

Esse era o grande tema da fala de São Francisco de Assis e inspirado nessa palavra de São Francisco de Assis é que o Papa escreve para todo o mundo, ele coloca lá, na Fratelli Tutti, em oito capítulos e entre estes nós estamos exatamente centrados nesse terceiro capítulo que fala: pensar e gerar um mundo aberto. O santo padre fala também do princípio da capacidade de amar, segundo a dimensão universal, trazendo mais uma vez à tona a cultura do encontro; de uma igreja aberta, em saída. Exorta cada um de nós a sair de nós mesmos para encontrar no outro, se encontrar com outro e acrescentar-se de ser. Abrindo-nos assim ao próximo, segundo o dinamismo da caridade, que nos faz tender para comunhão universal.

Ainda nesse mesmo Capítulo o Santo Padre o Papa destaca a função imprescindível na educação dada pela família, bem como a questão do direito à Vida e a dignidade. Ninguém pode ser excluído independentemente do local onde ele ou ela nasceu.

Essa abertura para viver com outro; e aqui nós temos nessa experiência do diálogo do texto bíblico que nós acabamos de ouvir. Texto muito caro a nós, tive a graça de escolher justamente essa palavra final dos discípulos, quando Jesus fez de conta que ia mais adiante e eles disseram: “Fica conosco Senhor”, E aqui também o lema de minha ordenação episcopal é exatamente este: pedir a Deus que fique conosco. Que bonito, meu irmão, minha irmã! Nesse texto aqui percebemos os discípulos dizendo ao Peregrino: certamente você é o único que não sabe… e Ele era quem sabia tudo. Era o único que realmente sabia tudo o que tinha acontecido. E Jesus então fez de conta que também não sabia e lhes perguntou: o que aconteceu? Eles foram dizendo as coisas e os acontecimentos todos porém, se percebe que estão desprovidos daquela experiência de fé, porque parece que toda desilusão tinha entrado na vida daqueles homens, estavam completamente sem sonhos, sem projetos, por isso estavam voltando para casa.

Infelizmente quando acontece conosco também de perder algo, alguém, alguns projetos que a gente tem traçado de uma forma e nem sempre vem como nós gostaríamos que fosse, a tempo e a hora; por vezes também temos tentações de abandonar nossos sonhos, alguns até a própria fé vai sucumbindo, desanima é um problema que aconteceu de ordem saúde, é uma experiência no trabalho, é uma experiência amorosa e às vezes a pessoa se frustra de algum modo e pensa que o mundo acabou.

Aqui, no evangelho, nós ouvimos Jesus dizer a estes homens depois que eles falaram tudo o que tinham a dizer, aí Jesus vai dizer para eles. Nesse momento é que o próprio Jesus fala ao coração deles, a partir da Sagrada Escritura, que nós ouvimos hoje: desde Moisés vai falando tudo aquilo que se referia a Ele. E, o coração daqueles homens começou, justamente, arder.

A experiência do conhecimento, da experiência de fé, Deus que vai se dando a conhecer pela palavra. Palavra que revela o próprio verbo. E quando Jesus faz de conta que vai embora mais adianta eles dizem: que já é tarde e pedem então que Jesus fique com eles. Jesus adentra até aquela casa e fica com eles. Exatamente um outro momento que é o Partir do Pão e Jesus faz com que os olhos deles se abram; e a gente percebe a comunicação na mesa da palavra e a mesa da Eucaristia, é a celebração litúrgica tão bonita onde o senhor se revela. A palavra de Deus que nos faz entender o Verbo Eterno do Pai que se dá, se faz alimento, que se torna pão para nos alimentar. E naquele momento, daquela experiência de abrir os olhos, eles se entreolham. Nesse momento Jesus sai de cena. Eles perceberam que o Ressuscitado se faz presente na Palavra e é ela quem faz arder o coração e na mesa da Eucaristia que abre os olhos. Essa experiência foi tão bonita e profunda para esses homens que eles não esperaram o outro dia.

É interessante que no começo eles dizem para Jesus que já está tarde, pede que Jesus fique na casa. E, no entanto, depois dessa experiência do Ressuscitado eles mesmo, imediatamente, foram comunicar aos outros o que tinha vivenciado, tinham experimentado com próprio Ressuscitado. Quem tem uma experiência de Cristo Pascal não fica esperando pra depois, não demora. É apressadamente que devemos estar abertos para levar a outros e outras essa boa notícia. É o grande diálogo que nós devemos estar abertos para fazê-lo em nome de Deus com a força do mesmo Espírito. É Deus que vem em nosso favor e faz com que a gente também seja impelido a partilhar da nossa fé, sem imposição, num ambiente plural como nós vivemos, devemos, como nunca, estar cientes e sedimentados numa fé sólida, embasada. Porém, abertos para ouvir o outro, acolher as outras pessoas. Não é impor o Evangelho no sentido de pregação, mas uma proposta de vida que o Senhor Jesus deseja que todos nós sejamos antes de tudo acolhedores desta mensagem do evangelho e também propagadores da mesma mensagem, cheios de esperança.

Vemos esses dias como a humanidade tem vivido dias difíceis, o planeta todo: homens e mulheres que sofrem com a perda de tantas pessoas amadas e queridas no Brasil e no resto do mundo; e, por vezes, também alguns têm medo, se assustam… Vimos nesses dias, na liturgia dominical, como os discípulos estavam com Jesus na barca e Eles foram lá e ‘cutucaram” Jesus: você não se importa com o que está acontecendo?

Muitas pessoas, por vezes, também acham que Deus não se importa com tudo que tem acontecido. Deus, meus irmãos e minhas irmãs, mesmo em meio à tempestade que a vida se nos apresenta, Deus está conosco. E devemos humildemente pedir a Jesus como nós ouvimos os dois discípulos de Emaús pedirem àquele Peregrino, que é Jesus: fica conosco. Que nós humildemente também nos aproximemos do Senhor sempre e peçamos: fica conosco! Fica com nossas famílias e dai-nos a graça de viver com perseverança nossa fé; dai-nos a graça de renovar sempre a nossa esperança no coração e essa experiência profunda do Diálogo que vem justamente de uma ação de caridade, de amor que nasce do coração de Deus que é nosso Pai.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo…


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