Especial

“O coração chora de saudade”, afirma carreiro de Nova Veneza (GO)

Com a pandemia, este é o segundo ano que não acontece o tradicional Desfile de Carreiros durante a Romaria de Trindade

Hoje, quinta-feira, 1º de julho, sétimo dia da Romaria do Divino Pai Eterno, seria realizado o tradicional Desfile de Carreiro, na rua da Igreja Matriz de Trindade, em Goiás. Comumente, durante toda a manhã, cerca de 400 carros de boi e comitivas de diversas cidades participam. Porém, devido à pandemia da Covid 19, toda a programação da Festa deste ano está sendo realizada virtualmente, portanto sem a presença de romeiros na Capital da Fé de Goiás.

Cheios de saudade, os carreiros lamentam pelo segundo ano sem desfile. “É uma tristeza muito grande! O coração chora de saudade e a vontade era estar no pasto, no pouso, preparando os bois, os carros e hoje estaríamos desfilando. Eu participo da Festa desde quando nasci. Hoje, com 18 anos, são dois anos sem ir. Uma tristeza para a família, amigos que iam todos juntos. Mas, o Divino Pai Eterno vai abençoar e ano que vem estaremos firmes em Trindade”, disse o carreiro Pedro Henrique Custodio Martins, da comitiva de Nova Veneza (GO). Da mesma comitiva, o carreiro Plínio Carneiro também fala o quanto sente por não estar na Festa. “É aperto no peito de tanta vontade de estar lá. Hoje seria o nosso dia, o dia do nosso desfile”.

 

Quem também está lá em Damolândia (GO) com os carros de boi guardados é o carreiro Arilson Pereira Dias, 51 anos. “Primeira coisa que lembrei hoje quando acordei foi do desfile. Até arrepio! A saudade é grande demais. Era o motivo da nossa alegria, a gente vive o ano todo esperando chegar a Festa de Trindade. Vamos sempre com 70 carros de boi e seguimos com fé até chegar aos pés do Pai Eterno. A lembrança do som do corro deixa o coração apertado”, comenta.

O carreiro conta que tem sido dias difíceis para os companheiros carreiros. “Essa doença é triste demais. Perdemos para a Covid quatro carreiros que iam todos os anos para a Romaria. Vivemos  uma época muito triste, sem alegria, mas com muita fé e esperança de que o Pai Eterno vai tirar essa doença do mundo e ano que vem teremos nosso desfile de volta. Estamos de longe fazendo a novena e pedindo todos os dias por isso”, completou.

Saudade e fé

Aos 88 anos, Cândido Martins Filho, mora em Nova Serrana (MG), e é um fiel romeiro do Pai Eterno. Em 2019 ele esteve com a filha em Trindade e assistiu o desfile dos carros de boi. Para ele, também é uma saudade grande. “Eu gosto muito e estou aqui de casa acompanhado tudo pela TV, lembrando tantas vezes que já estive aí. Ver as imagens da igreja vazia é muito triste, mas  conforta saber que estamos rezando mesmo assim”.

A filha, Rozita Martins Amaral, se emociona ao falar da fé do pai. “Ele é apaixonado nos carros de boi. Foi um alegria poder leva-lo no último desfile, foi um presente. E agora, ver o quanto ele se emociona ao ver pela TV, é muito bonito, e acende em mim a esperança na fé. O Pai Eterno vai abençoar e isso tudo vai passar”, disse.

 

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