Leia a homilia de Dom Francisco Agamenilton Damascena

Bispo Diocesano de Rubiataba-Mozarlândia presidiu a Novena Solene no sexto dia

HOMILIA NA NOVENA DO DIVINO PAI ETERNO

Trindade, 30 de junho de 2021

PAI ETERNO, DIANTE DE VÓS, SOMOS TODOS IRMÃOS

“POR UMA RELIGIÃO A SERVIÇO DA FRATERNIDADE”

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43”Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44Eu, porém, vos digo: ‘Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!’ 45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre os justos e injustos. 46Porque, se amais somente aqueles eu vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.

Pai Eterno, diante de vós, somos todos irmãos. Peço-vos que a religião se coloque sempre mais a serviço da fraternidade. Saúdo cordialmente o padre e o diácono, bem como os ministros que nos auxiliam nesta celebração.

Com afeto saúdo também você que nos acompanha pela TV Pai Eterno, TV Aparecida, Rádio Difusora Pai Eterno, Rede Vale FM, Rádio Trindade FM e redes sociais. A minha saudação de paz e bem para você romeiro do Divino Pai Eterno que neste ano faz a romaria do coração. O Espírito Santo nos coloca em comunhão na mesma fé. Deste modo, diante das circunstâncias, o Pai Eterno, por meio da palavra de seu Filho, na força do Espírito Santo, leva a bênção até você em sua casa, em seu trabalho, onde você estiver; de maneira muito especial aos que sofrem na solidão ou na doença, os idosos, enlutados e atribulados. Deus é Pai-Nosso. Portanto, somos seus filhos e nós somos irmãos. Nesta condição é que, desde esta basílica, elevamos aos céus nossos louvores e preces com você e por você. Somos todos irmãos.

No sexto dia da novena eu querolhe anunciar ou recordar uma realidade vivificadora: Deus ama você. Ele lhe conhece, sabe seu nome e lhe ama de modo incondicional. É por causa deste amor que ele criou o céu e a terra e, por fim, criou o homem e a mulher a sua imagem e semelhança. Você existe por causa deste amor. Infelizmente o pecado entrou no mundo. Porém, chegada a plenitude dos tempos, o Pai nos enviou o seu Filho, Jesus Cristo, gerado por obra do Espírito Santo no seio da virgem Maria. Ele veio para nos salvar do pecado.

Este amor divino nos põe diante de uma exigência típica do amor: amor recebido, amor doado; amor recebido, amor compartilhado. Tendo recebido tanto amor, e o amor é Deus, sendo assim, tendo recebido Deus em nossos corações, como não distribuir amor? Como não ser sinal visível do amor invisível? Como não prolongar em nossa carne os gestos e palavras de Jesus Cristo que passou a vida fazendo o bem sempre e a todos? Como não viver como irmãos? […]

Viver o contrário é rejeitar o amor divino. É contradizer-se, pois a natureza humana, imagem e semelhança de Deus, é amor. Nós somos amor. Viver de outro modo é se fragmentar, é se autodestruir. Uma pessoa, uma família, uma sociedade, uma pastoral, uma paróquia ou diocese, uma religião na qual não haja amor é desumana. […] Nós fomos definidos pela racionalidade. Isto não basta. Nós somos mais: somos amor, somos capazes de amar e ser amado. Uma pessoa que simplesmente pensa, trabalha, ganha dinheiro, constrói, desvenda os mistérios da natureza e não ama é existencialmente incompleta. Diz-nos apóstolo Paulo: “ainda que eu tivesse o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, se não tivesse a caridade, eu nada seria” (1Cor 13,2).

Amar é dar a vida a alguém, é servir o outro. O não amar ou o não ser amado é a maior doença do mundo, bem recordou Papa Francisco domingo passado. Quem não ama alguém ou não é amado, não é feliz; é incompleto. Nós somos dar e receber. Isto nos complementa.

Se conosco é assim, de modo semelhante são as coisas constituídas por nós, como é o caso da religião. Uma religião sem amor não é religião que não se coloca ao serviço do próximo trai a si mesma e se torna qualquer coisa, menos religião. Recordemos o que nos diz o apóstolo Tiago: “a religião pura e sem mácula diante de Deus, nosso Pai, consiste nisto: visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações e guardar-se livre da corrupção do mundo” (Tg 1,27).

Voltemos ao que disse Jesus Cristo no evangelho apenas anunciado: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: ‘Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!’ Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus”. Eis aqui, querido devoto do Pai Eterno, a exigência apresentada pelo Senhor neste 6º dia de novena: continuar amando as pessoas que nos amam e amar quem não nos ama; servir nossos inimigos e perseguidores porque Deus nos ama. Se não fizermos assim, seremos apenas um ser humano neste planeta parecidos com uma semente plantada sem germinar, crescer, florescer e dar fruto.

Quando a religião em geral leva em conta tudo isso, ela se torna em uma preciosa e imprescindível fonte de paz, justiça e fraternidade. Com efeito, a religião é portadora de valores espirituais capazes de promover a sociedade e defende-la das antropologias reducionistas, principalmente o materialismo e o totalitarismo. A religião em seu movimento transcendente de encontro com Deus abre as pessoas para o próximo, seja ele qual for. O amor divino é universal. Nós vivemos e nos movemos neste amor. Por isso, é de se esperar que os crentes em Deus vivam segundo esta dinâmica, amando os amigos e inimigos. O contrário disso é uma falsa religião ou uma inautêntica prática religiosa.

Papa Francisco, no capítulo VIII de sua encíclica Fratelli Tutti, nos ensina que a religião ao reconhecer o valor de cada pessoa humana como criatura chamada a ser filho ou filha de Deus, ao reconhecer Deus Pai de todos, ao praticar o culto sincero e humilde a Deus, “leva, não à discriminação, ao ódio e a violência, mas ao respeito pela sacralidade da vida, ao respeito pela dignidade e a liberdade dos outros e a um solícito compromisso em prol do bem-estar de todos” (FT 283). Sendo assim, a religião é um serviço à fraternidade.

Pai Eterno, diante de vós, somos todos irmãos. Peço-vos que a religião se coloque sempre mais a serviço da fraternidade.

De modo particular esta realidade diz muito a nós cristãos católicos que valorizamos a ação de Deus nas outras religiões e nada rejeitamos do que nelas existe de verdadeiro e santo, reflexos do raio da verdade que ilumina todos os homens (cf. FT 277), Jesus Cristo. Foi dele que nós recebemos o mandamento novo: amai-vos uns aos outros como eu vos amei; assim como eu fiz, façais também vós. É dele que recebemos a Palavra de Salvação: “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!”. Pelo fato de termos recebido o Evangelho e sermos custódios do depositum fidei, somos mais ainda responsáveis pelo anúncio e construção da fraternidade: diante do Pai Eterno, somos todos irmãos.

As vezes se diz que a origem das guerras se encontra na religião. Não é assim. […] A religião não é o problema, mas faz parte da solução de vários problemas. A experiência de fé e a sabedoria acumuladas pelas religiões atestam que Deus é um bem para a sociedade de se humanizar; é sufocar a pessoa humana e lhe impedir de dizer o sentido profundo de sua vida. As consequências são nefastas, pois o que não é dito, um dia vira um grito.

Se vemos líderes com seus seguidores disseminando terror e guerra em nome de Deus é porque eles há muito tempo se afastaram do essencial: a adoração a Deus e o amor ao próximo.

Papa Francisco nos recorda: “ a violência não encontra fundamento algum nas convicções religiosas fundamentais, mas nas suas deformações” (FT 282,283). O terrorismo, por exemplo, tem sua origem no cúmulo de interpretações erradas dos textos religiosos, no uso político das religiões, nas políticas de fome, de pobreza, de injustiça, de opressão, de arrogância (cf. FT 282, 283). Se no Brasil vemos casos de intolerância religiosa e destruição de lugares sagrados, a culpa não é da religião em si, mas de pessoas que se afastaram da natureza da religião e a ideologizaram. Os líderes religiosos são sujeitos a caírem nesta tentação. Por isso, nos alerta Papa Francisco: “Às vezes, a violência fundamentalista desencadeia-se em alguns grupos de qualquer religião pela imprudência dos seus líderes. Mas << o mandamento da paz está inscrito nas profundezas das tradições religiosas que nós representamos. (…) Nós, líderes religiosos, somos chamados a ser verdadeiros “dialogantes”, a agir na construção da paz […] Cada um de nós é chamado a ser um artífice da paz, unindo e não dividindo, extinguindo o ódio em vez de o conservar, abrindo caminhos de diálogo em vez de erguer novos muros” (FT 284).

Por fim, não temam a religião. Ela nos ensina olhar para o alto a fim de bem construir a cidade terrena onde todos são irmãos.

Pai Eterno, diante de vós, somos todos irmãos. Peço-vos que a religião se coloque sempre mais a serviço da fraternidade. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 


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