Homilia de Dom Levi Bonatto

Bispo auxiliar de Goiânia refletiu sobre o tema “No acolhimento e proteção dos irmãos”. Segundo dia da Novena

Trindade 2021- Pandemia.

Saudação:  aos telespectadores, redes sociais, radio

O romeiro.

Ao Subirmos neste presbitério nos vem aos olhos a pergunta? Onde estão os Romeiros?

Os romeiros que se dirigem a este santuário do Divino Pai Eterno para encontrarem aqui os caminhos de Deus ou neles se reafirmarem, para acharem a paz de suas almas e consolo em suas aflições. Neste Santuário de oração, a Trindade torna mais fácil e acessível o nosso encontro com o Divino. Neste sentido este Santuário converte-se em “uma antena permanente da Boa Nova da Salvação”.

Mas, hoje não podemos estar nesta peregrinação fisicamente, e olhamos desolados para este Santuário que sempre está repleto de romeiros sedentos de Deus.

Mas o verdadeiro romeiro faz a sua peregrinação com o coração no Pai Eterno esteja onde estiver

O que buscam os romeiros, mesmo sem estarem nesta peregrinação fisicamente? Aquilo mesmo que buscavam no dia, mais ou menos longínquo do seu Batismo: a fé e os meios para alimentá-los. Buscam os sacramentos da Igreja, sobretudo a reconciliação com Deus e o alimento eucarístico. E voltam agradecidos e revigorados para as suas casas.

Não podemos esquecer que somos romeiros e que peregrinamos em direção a uma meta concreta: O Céu. O fim de uma viagem determina em boa parte o modo de viajar, os objetos que se levam, os alimentos para o caminho.

A Trindade diz-nos que não podemos levar excessivos apetrechos nesta peregrinação da vida, nem vestes demasiadas pesadas, pois dificultam a caminhada e nós     devemos caminhar para a    casa do Pai em grandes passada, como bom romeiro, grandes passadas e constantes.

O verdadeiro espirito do romeiro nos revela-nos que não existe metas definitivas aqui na terra e que tudo deve estar orientado para o fim deste caminho, do qual talvez já tenhamos percorrido uma boa parte.

Hoje vamos refletir um pouco sobre o “acolhimento e proteção dos nossos irmãos “. Veremos mais a preocupação espiritual que devemos ter pelos nossos irmãos.

Temos que Amar a todos sem exclusão

Temos que ter o desejo de viver os ensinamentos de Cristo amando a todos sem exclusão.

Mesmo que seja uma exclusãozinha pequenininha…

A razão de fundo pela qual não pode haver exclusões é a dignidade do ser humano. De todo ser humano. Mesmo o que mais se tenha rebaixado; mesmo o que tenha adquirido os piores vícios…

E soma-se a essa razão outra ainda mais eloqüente: todos somos filhos de Deus.

Isso não significa que tenhamos que querer a todos por igual. Não  !!!!!!!   Há uma gradação que é natural no ser humano e é lógico que seja respeitada: os parentes, as pessoas próximas, etc… Mas não pode haver listas negras.

E esse amor não pode ser só teórico, tem que levar a manifestações práticas de caridade verdadeira.

Uma caridade sem obras é uma caridade falsa.

Esforço de reconciliação quando houve algum “encontrão”. (Saber  pedir desculpas; e também pedir perdão )  não é tão difícil assim, tente alguma vez, não dói tanto…)

No Pai-Nosso pedimos a Deus que nos perdoe “assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.. da mesma forma.

Empenho de aproximação quando há uma natural distância com relação a alguma pessoa (Porque ainda não se conhece direito; ou pela diferença de idade; ou por modos de pensar diferentes…)

Decisão firme de não envolver-se em conversa que sejam “falar mal” dos outros (Não é um bom tipo de diversão; é um passatempo muito perigoso… porque alimenta muitos maus sentimentos no coração)

Não ser daquelas pessoas que “não deixam passar uma”; não ser daquelas pessoas que sempre estão “tirando” dos outros.

Tomar a iniciativa de gestos de carinho quando o modo de tratamento está muito frio ou distante (Quando o modo normal de irmãos se chamarem passou a ser com  falta de educação, ate mesmo com palavrão, vamos  acolher a todos com carinho e palavras educadas próprias para o tratamento familiar.)

Às vezes basta começar por dizer “bom dia” (também não custa tanto assim). Procurar sempre ter boa cara, e não caras feias e desanimadoras. Tudo isto é acolher nossos irmãos.

Saber, com delicadeza, com jeitinho, dar o conselho oportuno àquela pessoa que necessita e pode fazer bom uso do nosso conselho.

Ser cristãos não é apenas rezar umas orações e dar alguma esmola aos pobres, é muito mais. É viver de verdade o ensinamento da caridade de Jesus Cristo.

Ele dizia que esse justamente deveria ser o diferencial, o distintivo, que mostrasse aos demais que uma pessoa é cristã, seguindo de fato os seus ensinamentos…

E este é um tema, acolhemos ou não acolhemos, e assim que se vive a caridade de Cristo.

Pensemos um pouco em como estamos nós e retifiquemos naquilo que seja necessário.

OS DEZ LEPROSOS: Lc 17,11,

O Evangelho proposto para hoje e  o dos 10 Leprosos, que são acolhidos por Jesus e que não lembram de voltar para agradecer.

a) panorama: condenados – sem culpa própria – pela doença: uma prisão perpétua que os obriga viver afastados da sociedade. Proibidos de estar com a família; isolados dos pais, dos irmãos, dos filhos.

Rejeitados: ninguém quer aproximar-se deles para não se contaminar. Vida sem sentido. Sem perspectiva de solução. Corpo que vai-se desfazendo… Tudo isso sem poder fazer nada para evitar, nem conseguir explicar porquê. Um bandido, um criminoso que sofre sabe que tem culpa. Mas eles…

b) ninguém se arrisca ficar leproso: ( Como não nos arriscamos a pegar o Corona Virus) Heroicidade do Pe. Damião, nas ilhas Molokai, no Pacífico, próximas ao arquipélago do Havaí. Voluntário. Trabalhar como pároco. 12 anos. Até que também contraiu a doença…

Aqueles 10 não se aproximam de Cristo: gritam de longe. Entre os 10 havia um samaritano, ou seja, um estrangeiro, que não fazia parte do povo judeu. Jesus manda irem apresentar-se ao sacerdote: somente assim poderiam ser reintegrados à sociedade.

Deveriam modificar o tipo de vestimenta (pois o leproso era obrigado a usar uma roupa diferente, para ser facilmente identificado e, com isso, se evitava o contágio).

Jesus os atendeu de modo imediato. Ficaram curados. Libertados da doença, da sua  praga. Estou curado!

c) só um dos 10 foi agradecido: este voltou e se aproximou de Jesus, ao ver-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz. Prostrou-se, aos pés de Jesus e lhe agradecia (17, 15). Reconhece o poder de Deus em Jesus.

Já tinha tentado mil outros tratamentos: chás, pomadas, bálsamos, curandeiros… Jesus só disse uma palavra. Só pode ser Deus. Aquele homem teve fé. E acabou ganhando mais do que os outros, que não quiseram voltar para agradecer.

Ficou curado também na sua alma. Tudo porque soube ser agradecido. Reconheceu a grandeza do benefício.  Jesus lhe disse:

“Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove? Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?” E acrescentou: “Levanta-se e vai, tua fé te salvou.”

Interessante reparar que Deus também pensa o mesmo em relação a nós. Ele nos dá tantas coisas boas. É natural que sejamos agradecidos.

MODOS DE SER AGRADECIDOS:

Que tens que não hajas recebido? E se o recebeste, porque te glorias, como se não houvesses recebido? (1 Cor 4,7). Tenho consciência disso? Tudo o que tenho, tudo o que sou, tudo o que posso fazer…

a) dons, talentos e oportunidades humanas:

A existência, a vida, a inteligência, a memória, a capacidade de ler e estudar…

Oportunidades: família,  educação, 1escolas, bons educadores, amigos…

Quantas noites de sono nossos pais perderam por nossos choros, doenças…

Amigos que contam conosco, que nos ouvem, que nos animam, que nos ajudam, que se apoiam em nós… Que nos acolhem ……

b) bens espirituais, sobrenaturais:

Deus que nos adotou no dia do nosso Batismo: sem mérito algum da nossa parte, passamos a fazer parte da sua família, a sermos filhos de Deus e herdeiros do Céu.

Dom da fé: esta luz potente que ilumina nossos passos. A Palavra de Deus viva e acessível para nós.

Possibilidade de conhecer tal como Deus é em si. De falar com Ele na oração.

Poder colaborar para estender o bem à nossa volta, ajudando as pessoas…

c) demonstrar o agradecimento: ( agradecimento é acolhimento)

Vencer o instinto egoísta de apenas pedir. Retribuir pelos benefícios que os outros nos fizeram: lembrar do seu aniversário; oferecer uma ajuda.

Não deixar de agradecer nunca as pessoas que nos prestam algum serviço: o motorista do ônibus, a secretaria, o porteiro do prédio, a mãe, o amigo que telefonou…

Aprender a agradecer a Deus por todos os benefícios, incluindo aqueles que não conhecemos, inesperados, imerecidos.

d) demonstrar a gratidão com obras: não apenas da boca para fora, mas com atitudes, como aprendemos do samaritano: ele retornou, dirigiu-se a Jesus, ajoelhou-se e rezou diante dEle.

Nós também: precisamos de vez em quando fazer o mesmo: entrar numa igreja, colocar-nos diante de Deus – não para pedir – mas para agradecer por tudo o que ele nos tem feito.

Preparar-nos para a S. Missa. A própria palavra Eucaristia significa ação de graças. Assistir à S. Missa é a melhor maneira de agradecer a Deus tudo o que recebemos durante a semana.

CONCLUSÃO: há uma afirmação da Bíblia que – à primeira vista – pode parecer exagerada: Daí graças ao Senhor, porque tudo é bom! Se tivermos os olhos da fé alcançaremos uma visão elevada, superior. E realmente poderemos comprovar a Sabedoria do nosso Pai Deus, que faz com que todas as coisas cooperem para o nosso

Nossa Senhora acolheu Jesus que depois acolheu todos nós no seu coração, que sejamos todos recebidos no coração de Maria.


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