Especial

Doação de órgãos: um gesto de amor e continuidade da vida

“Setembro Verde” conscientiza a população sobre o impacto deste ato de solidariedade

Setembro é marcado pela Campanha Nacional para a Doação de Órgãos e Tecidos, também denominado “Setembro Verde”. Por meio dela, são promovidas diversas ações para conscientizar a população sobre o impacto deste ato de amor ao próximo na vida de quem aguarda na fila por um transplante.

A conscientização se torna ainda mais importante diante do recente dado divulgado pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). De acordo com a entidade, a taxa de doadores de órgãos caiu 13% no primeiro semestre. Segundo o editor-chefe do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) e membro do Conselho Consultivo da associação, Valter Duro Garcia, o que explica essa redução é o aumento de 44% na taxa de contraindicação, principalmente em razão da Covid-19.

“O que acontece no Brasil ocorre em praticamente todos os países que tiveram a pandemia mais violenta, assim como foi para nós. A Covid-19 impactou o número de transplantes, doadores e transplantados que tiveram risco maior de morrer pela doença. Até o ano passado, de cada três potenciais doadores, um se tornava doador. Neste ano, de cada quatro potenciais, só um efetivou. Ou porque o doador testava positivo para a doença, ou porque não se tinha rapidez no resultado do teste para levar à cirurgia. A Covid-19 atrapalhou a efetivação da doação”, diz ele.

Gesto de fraternidade e solidariedade humana

Em um de seus discursos, o Papa Francisco já evidenciou a grandeza deste gesto aos cristãos. Segundo ele, “a evolução na medicina de transplantes tornou possível doar órgãos depois da morte, e em alguns casos também em vida (como no caso do rim, por exemplo) para salvar outras vidas, preservar, recuperar e melhorar a saúde de muitas pessoas doentes que não têm outra alternativa. A doação de órgãos responde a uma necessidade social porque, não obstante a evolução de muitos tratamentos médicos, a necessidade de órgãos ainda é grande”.

O Santo Padre ainda citou um trecho do Catecismo da Igreja Católica, que diz: “A doação de órgãos após a morte é um ato nobre e meritório e deve ser encorajado como uma manifestação de generosa solidariedade”.

Na Carta Encíclica Evangelium vitae, São João Paulo II nos recorda que, dentre os gestos que alimentam uma cultura autêntica da vida “merece particular apreço a doação de órgãos feita, segundo formas eticamente aceitáveis, para oferecer uma possibilidade de saúde e até de vida a doentes, por vezes já sem esperança”.

“Por esse motivo, é importante manter a doação de órgãos como um ato gratuito não remunerado. De fato, toda forma de comercialização do corpo ou de uma parte dele é contrária à dignidade humana. Ao doar sangue ou um órgão do corpo, é necessário respeitar a perspectiva ética e religiosa.”

Para aqueles que não têm uma fé religiosa, o Papa recordou que “o gesto para com os irmãos necessitados pede para ser realizado com base em um ideal de solidariedade humana desinteressada”.

Seja um doador

Para ser um doador, basta conversar com sua família sobre o seu desejo de ser doador e deixar claro que eles, seus familiares, devem autorizar a doação de órgãos. No Brasil, a doação de órgãos só será feita após a autorização familiar.

Pela legislação brasileira, não há como garantir efetivamente a vontade do doador, no entanto, observa-se que, na grande maioria dos casos, quando a família tem conhecimento do desejo de doar do parente falecido, esse desejo é respeitado.

Por isso, a informação e o diálogo são fundamentais. Essa é a modalidade de consentimento que mais se adapta à realidade brasileira. A previsão legal concede maior segurança aos envolvidos, tanto para o doador quanto para o receptor e para os serviços de transplantes.

A vontade do doador, expressamente registrada, também pode ser aceita, caso haja decisão judicial nesse sentido. Em razão disso tudo, orienta-se que a pessoa que deseja ser doador de órgãos e tecidos comunique sua vontade aos seus familiares.

Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Com informações da Agência Brasil, Vatican News e Ministério da Saúde  


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