Especial

CIMI apresenta relatório de violência contra povos indígenas no Brasil

Evento realizado na sede da CNBB divulgou os dados coletados em 2022

Reprodução: CNBB

Como instrumento de denúncia à violência sofrida pelos povos indígenas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou o relatório anual do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre a violência contra os povos indígenas no Brasil, com dados de 2022. Na cerimônia de lançamento em Brasília, estiveram presentes lideranças indígenas e representantes da CNBB e do Cimi.

O documento tem três capítulos e 19 categorias de análise, e reúne dados sobre violações contra os direitos territoriais indígenas, como conflitos e invasões; violências contra a pessoa, como assassinatos e ameaças; e violações por omissão do poder público, como desassistência nas áreas da saúde e da educação, além da mortalidade na infância e suicídios.

Segundo a assessora da Cimi, Lúcia Rangel, os pontos de garimpo aumentaram exponencialmente em 2022. “O que acarretou na violência sexual, como se fosse uma sede em maltratar mulheres. Inclusive, violência sexual contra meninas, crianças. Isso é algo que doí muito no coração”, disse Lúcia.

A pesquisa utilizou diversas fontes para construir o seu banco de dados, como registros das onze regionais do Cimi, denúncias de indígenas, boletins de ocorrência, notícias veiculadas pela imprensa e, ainda, informações oficiais da Secretaria Especial de Saúde Indígena. Esta diferença de fontes resulta em diferenças qualitativas na disposição dos dados, o que permite apenas fazer um balanço da realidade sofrida pelos indígenas no Brasil.

Para o indígena da tribo Yanomami, e presidente da associação Wanasseduume Ye’Kwana em Rondônia, Júlio Ye’kwana, “nós já sabíamos que ia acontecer tudo isso. Tentamos evitar com denúncias no governo e ministérios, mas nada adiantou, e acarretou também no aumento de doenças durante 4 anos no meio do nosso povo”, explicou o indígena.

O relatório mostra o reflexo do último ano sob governo de Jair Bolsonaro, com uma gestão marcada pela paralisação total das demarcações de terras indígenas, além de grande quantidade de conflitos e de invasões de terra e, ainda, pelo desmonte das políticas públicas voltadas aos povos indígenas e dos órgãos responsáveis por fiscalizar e proteger estes territórios.

O último governo federal atuou no sentido de atacar o direito territorial, não demarcando nenhuma área indígena, impedindo o uso e fruto pelos povos originários. Segundo o missionário da Cimi, Roberto Liebgott, “sem demarcação, submete esses territórios aos interesses da especulação madeireira, garimpeira, e de vários outros tipos de interesses econômicos que em geral são criminosos”, relata Roberto.

O relatório foi publicado pela primeira vez em 1996, mas só a partir de 2003 que todas as edições anuais do documento ficaram disponíveis em formato digital e, desde 2015, também é traduzido para a língua inglesa. O objetivo da pesquisa é levar todos os dados a conhecimento público para que esta realidade seja levada a sério e não mais de forma banal.

O relatório mostra o reflexo do último ano sob governo de Jair Bolsonaro, com uma gestão marcada pela paralisação total das demarcações de terras indígenas, além de grande quantidade de conflitos e de invasões de terra e, ainda, pelo desmonte das políticas públicas voltadas aos povos indígenas e dos órgãos responsáveis por fiscalizar e proteger estes territórios.


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