Ajudar o próximo

Pastoral Indigenista: trabalho social e de fé em Campo Grande

Irmã Marbelis Yulimar, coordenadora, fala sobre os desafios e as conquistas com os povos indígenas

A Alegria do Evangelho, como nos é proposta pelo Papa Francisco é uma realidade evidente na vida de todos os cristãos que se colocam a serviço. A Irmã Marbelis Yulimar está acostumada a se deparar com situações difíceis mesmo assim não perde a esperança e o sorriso com o seu trabalho na coordenação da Pastoral Indigenista da Arquidiocese de Campo Grande, que surgiu no final da década de 90 diante da difícil realidade dos povos indígenas.

“A pastoral teve início no ano 1997, por inciativa Dom Vitório Pavanello, na época arcebispo de Campo Grande. Nas visitas pastorais ele constatou a presença dos indígenas nas paróquias e a falta de assistência a essa população. Devido a isso, ele solicitou a congregação Laurita a presença na cidade de Campo Grande para assistir aos indígenas”, explica a coordenadora.

As Irmãs Lauritas são conhecidas em todo mundo pela sua atuação principalmente na América Latina em favor dos povos indígenas. Em mais de 100 anos de existência, esta congregação ainda responde ao desejo de sua fundadora, Laura Montoya de acompanhar e estar juntos aos povos originários de nosso continente.

“A Congregação das Irmãs Lauritas foi fundada no ano de 1914 com a finalidade de acompanhar as comunidades indígenas nos seus processos de organização. Atualmente, estamos em 21 países, acompanhando muitos povos indígenas e sendo aliadas da causa indígena”, pontua a irmã.

A coordenadora explica que além das Irmãs Lauritas, outros agentes de pastoral também são responsáveis pelos trabalhos desenvolvidos: “A Pastoral Indigenista em Campo Grande é formada por três irmãs missionárias Lauritas, dois seminaristas do Seminário Maior, recebemos o apoio do bispo da Arquidiocese, que sempre apoiou o nosso trabalho e também das próprias lideranças das comunidades indígenas”.

A soma do trabalho de todas essas pessoas e instituições permite que a pastoral atenda mais de 15 mil indígenas por ano na capital do Mato Grosso do Sul. Antes deste trabalho ser iniciado nem mesmo as autoridades civis tinham conhecimento real das demandas desta população. “Um dos primeiros trabalhos que fizemos em parceria com uma universidade foi o censo da população indígena, para se ter noção da quantidade de indígenas que estavam aqui na cidade. A partir daí as irmãs criaram diretrizes visando o atendimento a essa população junto com alguns voluntários e apoio das arquidioceses”, relata Ir. Marbelis.

As frentes de trabalho são diversas e atualmente, segundo a coordenadora, se concentram em três frentes de atuação. “Catequese, preparação para o sacramento, iniciação da Palavra, acompanhamento nas festas religiosas, formação de lideranças, formação em leis, direitos indígenas e assistência social às famílias, além do encaminhamento de questões indígenas para responsáveis”.

O Coronavírus também atingiu a realidade dos povos indígenas e escancarou as desigualdades sociais vividas por estes povos. “A pandemia deixou muito mais em evidência a vulnerabilidade dos povos indígenas. Pois, aqui no contexto urbano, tem áreas sendo ocupadas por eles que ainda não são reconhecidas e eles não têm o atendimento que eles precisam, ainda tem condições precárias, às vezes não tem acesso a água, esgoto, saúde. E tem outros que estão nas aldeias, chamadas aldeias urbanas, mas também não tem essa assistência”, destacou a irmã.

Durante esta tempestade da Covid-19 a Pastoral tem desenvolvido um grandioso trabalho. “Sendo assim, nós, junto com outras organizações, tivemos que desenvolver ações para proteger o território e os espaços dos indígenas para evitar o contágio. Nós apoiamos e incentivamos as barreiras sanitárias, que foram uma iniciativa das comunidades, fornecendo para eles equipamentos de higiene pessoal e orientações de como mantê-los protegidos”.

Todo este cuidado das Irmãs Lauritas através da pastoral Indigenista da Arquidiocese de Campo Grande é reconhecido pelos indígenas que expressam sua gratidão. O jovem Eric Marky Terena testemunha os benefícios do trabalho prestados pelas irmãs ao seu povo e aos seus ancestrais. “Expresso meus sinceros sentimentos e apoio às Irmãs Lauritas, pois são pessoas que sempre nos ajudaram na missão delas, sempre se dedicaram muito a cuidar dos nossos parentes e, sempre que possível, em sua missão, sempre trouxeram a paz, a Palavra de Deus, e em grande parte dos momentos foram de ajuda e essa ajuda veio por meio de material, ferramentas possíveis pra nos mantermos dentro da cidade e também por meio do acolhimento que faz muita diferença pra nós”, afirma o jovem indígena.

Muitos direitos dos povos indígenas ainda devem ser assegurados no Brasil e a Igreja atua fortemente para que estas conquistas logo cheguem. “Nossas terras não são demarcadas, são anos de luta e graças às pessoas que nos apoiam, que lutam conosco pelo nosso pertencimento, nossa cultura, e também nos ajudam a nos valorizar. Por isso que nós existimos, por isso estamos aqui conquistando nosso espaço na região urbana”, conclui Eric.

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