Cáritas Internacional celebra 70 anos de dedicação aos necessitados

Atualmente, ela opera em 200 países e territórios, propagando o testemunho concreto da caridade

Foto: Cáritas Brasileira

Atender às necessidades humanitárias que surgiram no final da Segunda Guerra Mundial, e prestar assistência às vítimas do conflito. Quando Pio XII a estabeleceu, em 12 de dezembro de 1951, esses eram os objetivos principais da Cáritas Internacional.

Neste ano, será celebrado o 70º aniversário da Cáritas Internacional, a Confederação que reúne e coordena as várias Cáritas nacionais, presentes no mundo. Atualmente, ela opera em 200 países e territórios, propagando o testemunho concreto da caridade, para que as pessoas, sobretudo as mais vulneráveis, possam experimentar o amor misericordioso de Deus.

Em entrevista ao Vatican News, o secretário-geral, Aloysius John, fala sobre os desafios que esperam a Cáritas no futuro, a partir da crise humanitária global, desencadeada pela pandemia. Confira!

A Cáritas Internacional nasceu poucos anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Setenta anos depois de sua fundação, quais são os valores que sustentam sua Confederação hoje como então?

A Cáritas International nasceu como “mão solícita e amorosa” da Igreja, para servir e promover a pessoa humana, em particular, os pobres, os marginalizados e os mais vulneráveis da sociedade. Nestes 70 anos, a nossa Confederação tem sido guiada por valores fundamentais, como a proteção da dignidade humana, dos direitos fundamentais e da justiça social. Esses valores sempre estiveram na base da nossa obra, que evoluiu ao longo dos anos, acompanhando os sinais dos tempos e buscando um desenvolvimento constante, para melhor servir aos necessitados. No centro da nossa missão está, e sempre estará, o encontro com os pobres, como também nos lembrou o Papa Francisco, em 2019, por ocasião da nossa última Assembleia Geral. “Não se pode viver a caridade sem ter relações interpessoais com os pobres, porque convivendo com os pobres aprendemos a praticar a caridade com espírito de pobreza, aprendemos que caridade é partilhar”, nos disse o Papa.

Nestes 70 anos, a Cáritas Internacional esteve presente em todas as grandes emergências humanitárias. Na sua opinião, qual é o maior desafio que vocês enfrentam hoje, num mundo marcado por transformações rápidas e profundas?

O trabalho humanitário mudou significativamente desde 1951 e hoje, enfrentamos crises complexas e duradouras, tanto naturais quanto provocadas pelo homem. Divisões políticas, guerras, conflitos religiosos se misturam aos efeitos das mudanças climáticas, e com o consequente aumento dramático de refugiados deslocados internos. Também enfrentamos graves desigualdades e o surgimento de novas formas de pobreza e vulnerabilidade. À medida que continuamos a servir e acompanhar as pessoas afetadas por esse sofrimento, enfrentamos o desafio de promover um sentimento de solidariedade para com elas em nossa sociedade moderna. Por outro lado, o desafio mais urgente, diante do imenso sofrimento humano, é mobilizar os recursos necessários para cumprir nossa missão.

A Covid-19 também exerce pressão sobre as atividades caritativas e humanitárias. Como a Cáritas Internacional enfrentou a crise e como está se preparando para a pós-pandemia?

A nossa Confederação se viu diante de uma crise sem precedentes, que fez com que quase todas as Cáritas do mundo se empenhassem na resposta à pandemia. Um sinal concreto de apoio e esperança veio do Santo Padre, que quis incluir a Cáritas Internacional na Comissão Vaticana Covid-19. A pedido do Papa, e em colaboração com o Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, criamos um fundo que apoiou 40 projetos da Cáritas. Este gesto de solidariedade motivou outros atores locais, a se unirem à Cáritas para oferecer apoio. Em Bangladesh, por exemplo, alguns proprietários de restaurantes muçulmanos apoiaram a Cáritas local, doando alimentos para os refugiados. A resposta imediata à emergência foi acompanhada pela reflexão sobre o amanhã. Instados pelo convite do Papa Francisco a “pensar no novo futuro” da pós-pandemia, criamos um think tank, e estamos refletindo sobre, como o trabalho da Cáritas será influenciado pela nova realidade.

A Igreja está globalmente envolvida no processo sinodal desejado e iniciado pelo Papa Francisco. Qual é a contribuição que uma realidade eclesial mundial, como a Cáritas Internacional, pode oferecer à sinodalidade?

O Papa Francisco destacou que o processo sinodal, que envolve toda a Igreja, tem como primeiro ponto, a escuta. A capacidade de imaginar um novo futuro para a Igreja. Portanto, depende, em grande parte, do início de um processo de escuta, diálogo e discernimento comunitário. A Cáritas Internacional pode, portanto, contribuir para levar a sua contribuição, para a reflexão nas comunidades cristãs de base e nas paróquias, promovendo o diálogo e a solidariedade com os mais vulneráveis dentro delas.

Um aniversário é uma ocasião para fazer um balanço, mas também para relançar. Em que se concentrará a Cáritas Internacional nos próximos anos? Há alguma campanha em particular que vocês lançarão em vista do aniversário?

Esta pandemia nos mostrou como, sem o cuidado da humanidade e da criação, todos nos tornaremos cada vez mais vulneráveis. Hoje, o mundo precisa, mais do que nunca, de uma conversão radical de corações e mentes e de uma reconciliação com a criação. Realizando nosso trabalho de caridade, estamos particularmente comprometidos em promover uma civilização de amor e cuidado pela humanidade e a nossa Casa Comum. É precisamente nestes pontos que se apoiará a nossa Campanha global, que lançaremos em vista do nosso aniversário e que se estenderá até 2024.

Com informações do Vatican News


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1 Cometários
  • Maria Helena de Souza
    31/10/2021 - 17:58:27

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