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Missa Tridentina: o tesouro da Igreja Católica

Celebração mantém tradições do tempo dos apóstolos e é rezada na forma do Rito Romano, em Latim.

Fotos: Fábio Faria

Você já ouviu falar em Missa Tridentina? Pois bem, a igreja mais antiga de Goiânia (GO), a Capela São José, localizada no Setor São José, ainda mantém a tradição da também chamada Missa de Sempre, Missa Tradicional ou Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano. De segunda-feira a sábado, às 19h, e aos domingos às 9h30, cristãos católicos participam da celebração na tradicional paróquia, fundada em 1901, e que inclusive, foi o primeiro seminário dos Missionários Redentoristas em Goiás.

A Missa Tridentina é rezada nos dias de hoje como foi transmitida pelos apóstolos, com algumas pouquíssimas diferenças e alterações. “A posição do padre dentro do contexto da missa é uma das diferenças. Hoje em dia se pede que o padre, na missa comum, esteja voltado o tempo inteiro para o povo. Na Missa Tradicional, a posição do padre é voltada, na maior parte do tempo, para o altar, todos ficam de frente para o altar. A segunda diferença é relacionada à importância da língua latina. O padre reza a missa em Latim e os fiéis participam respondendo também algumas partes em Latim. Existem outras línguas presentes, inclusive, o Português, o Hebraico, o Grego, mas a língua predominante é a latina”, pontua o Missionário Redentorista Pe. Bráulio Maria Pereira, que faz a celebração há cerca de quatro anos.

Considerada como um tesouro da Igreja Católica, outra característica peculiar é a experiência do sacrifício e da profunda veneração vivida nos ritos. “Todos ficam mais tempo ajoelhados e em silêncio. É uma liturgia predominantemente penitencial. Há uma preferência também pela música sacra, canto gregoriano e a polifonia. Outra especificidade é que as mulheres procuram estar mais modestas, sempre estão usando véu sobre o cabelo; se casadas o véu é preto, se solteiras o véu é branco. Os homens usam sempre calças e camisas de manga. Tudo representa respeito”, ressalta o padre.

Quanto à Eucaristia, Pe. Bráulio afirma que é o momento de maior espírito de adoração: “Boa parte do tempo o padre reza quase em silêncio, praticamente sussurrando, somente o padre e o coroinha ou acólito mais próximo escutam. Então, esta é a primeira diferença na hora da Eucaristia: o silêncio. A segunda é a forma de como receber a comunhão. As pessoas se ajoelham e é como se fosse uma mesa, porque tem um forro e as pessoas recebem a Comunhão ajoelhadas e diretamente na boca. A forma de organização da fila, de ocupar a mesa é bastante apropriada. Sempre tudo isso marcado pela ordem, pelo decoro e por uma posição de profundo respeito. Naquele momento o padre faz uma pequena oração fazendo o Sinal da Cruz sobre o rosto da pessoa que receberá a comunhão, antes de colocá-la sobre a língua da pessoa. Em seguida, elas voltam aos seus lugares e continuam em oração”.

Uma das peculiaridades da Missa Tridentina está relacionada ao tempo de silêncio. “A missa é uma atualização do calvário. Então, o silêncio transparece uma profunda dor naquele sofrimento, durante a Paixão que Jesus foi submetido. É um silêncio que significa solidariedade, paixão, amor a Deus”, diz o Missionário Redentorista.

Feliz em manter viva uma tradição tão antiga da Igreja Católica, Pe. Bráulio, que já tem quase 12 anos de sacerdócio, conta como foi seu primeiro contato com a Liturgia mais tradicional: “Foi em um mosteiro de frades franciscanos e outro de cônegos regulares. Ali eu pude ver o valor que eles davam ao Latim. Algumas tradições como uso do hábito religioso. Outras tradições como o canto gregoriano, que quase desapareceu das nossas celebrações. E aquilo foi me tocando profundamente para a contemplação do mistério de Deus. Depois, foi em uma viagem para os Estados Unidos, onde fui aprofundando no conhecimento do Latim. Mas, foi lá que eu vi o grande fruto dessa missa na vida concreta das famílias, que educavam seus filhos e sustentavam sua vida familiar a partir da Liturgia tradicional do rito romano. Dessas famílias eu fui conhecendo grupos de religiosos, de irmãos, freiras que também preservaram essa tradição, e eu via que essa Liturgia era autêntica e ajudava os católicos em sua relação com Deus e a progredir na caridade”.

Ainda segundo o padre, toda essa experiência lhe trouxe e traz profunda realização em sua missão religiosa. “Cada vez eu aprendo mais e vivo mais. Claro que tive que me submeter a uma mudança do modo de viver, de rezar, mas sempre foi muito benéfico, edificante. Neste contexto de conhecimento foi que eu me senti chamado por Deus. Não é fácil, exige muito estudo, dedicação, conhecimento profundo dos ritos, que são muitos exatos, minuciosos. Preciso de muita disciplina interior até mesmo para me preparar melhor para sermões ligados ao ensinamento de sempre da Igreja”, conclui o Missionário Redentorista.

Cristã católica, Dimitria Rodrigues visitou a Capela São José e assistiu pela primeira vez uma Missa Tridentina. “Nossa! É bem diferente e muito bonita também. Representa um respeito enorme e tem uma simbologia bem antiga, conservadora. Bom ver que uma Igreja e um padre da minha cidade ainda mantém um costume tão antigo da nossa Igreja. Me emocionei em ver e sentir tudo aquilo. Uma presença forte do Pai Eterno no meu coração”. 

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