Como superar a cultura do descartável nos relacionamentos

  14 de March de 2019 • 09h30 • Atualizado em 18/03/2019 • 09h48

Os relacionamentos afetivos, sejam eles familiares, amizades e amorosos, são tratados atualmente de forma descartável. Ao menor sinal de dificuldade já se pensa “vou me afastar, vou embora, não aguento mais, posso encontrar algo melhor”. Mas é possível construir relacionamentos saudáveis, felizes e duradouros? De acordo com Renata Cardoso, leiga consagrada da comunidade Recado, de Fortaleza (CE), é possível sim, mas aos poucos. “Os relacionamentos afetivos precisam ser construídos. É um processo! Requer tempo, autoconhecimento, disposição, dedicação e abertura para conhecer o outro e acolhê-lo como é”, explica.

Para Renata, toda a base de bons relacionamentos afetivos começa primeiramente na família. É na família que o jovem aprende a respeitar, a se comprometer, a ser verdadeiro, a ser responsável pelos seus, a amar. A consagrada questiona, por exemplo, algumas atitudes de pais que podem ser tóxicas na formação dos filhos. “Quantos pais estimulam e até promovem, ainda nos dias atuais, a iniciação sexual do filho, muitas vezes com garotas de programa? Quantas meninas estão entendendo de forma distorcida o que significa feminismo… Aprendendo a competir com os homens e não a lutar por sua dignidade e valorizar a diferença entre ambos. Tudo isso proporciona no coração e nas atitudes dos jovens a chamada ‘cultura do descartável’: não me satisfaz, não me dá prazer momentâneo? Jogo fora. Engravidei, não quero ser mãe? Jogo o filho fora, afinal, o corpo é meu. Essa moça ou rapaz quer viver a castidade, mas eu não quero? Então não me serve”, exemplifica.

Amor verdadeiro

A Palavra de Deus deixa claro que todo ser humano também é a casa de Deus Pai: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? ”(ICor 6,19). “Se eu sou templo, como diz o Senhor, o outro também é! Para superarmos a ‘cultura do descartável’, é preciso retomar o respeito a Deus que habita em mim e que habita o outro também. Aprender ou reaprender a olhar e amar o outro, como o próprio Deus olha e ama”, pondera Renata.

Para construir relacionamentos saudáveis é preciso, antes de tudo, conhecer o amor de Deus Pai, pois Ele teria todos os motivos para descartar Seus filhos diante do pecado e da maldade que habita a humanidade, mas, mesmo assim, o Pai Eterno enviou Seu Filho Jesus para salvar e redimir todo o mal. “Precisamos acreditar que Ele nos dá tudo, como nos deu Sua própria vida, tudo isso por amor a nós, que por todo nosso pecado, poderíamos sim ser ‘descartados’ por Deus, mas Ele preferiu usar de misericórdia e nos amar como somos. Ao estreitarmos nossos laços de amizade com o Pai, aprenderemos, sem dúvida, a amar nossos amigos, familiares, nosso namorado(a), esposo(a), sempre com Deus, por Deus e para Deus. O próprio Deus nos ensinará o que e como devemos fazer”, afirma Renata.

Desafio

Diante de tantas notícias ruins sobre relacionamentos afetivos, como violência doméstica, psicológica, humilhações, traições que envenenam as amizades, as famílias, namoros e casamentos, é natural que as pessoas desenvolvam  desconfiança e medo diante de um momento ruim em um relacionamento. “Quando percebemos, em qualquer relacionamento afetivo, que estamos sendo pressionados a viver aquilo que não nos faz bem, quando não estamos sentindo paz e alegria de estar ao lado de alguém, precisamos pedir ao Senhor a graça de nos desapegarmos de um relacionamento tóxico, que nos priva do amor a Deus, do amor próprio e do amor aos demais. ‘É para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão’ (Gal 5,1). Deixemos para trás, situações, pessoas e relações que nos escravizam”, afirma Renata.

A consagrada da comunidade Recado convida, principalmente os jovens, a nadarem contra a correnteza daquilo que as mídias e as redes sociais divulgam como estilo de vida, que é momentâneo e não os preenchem, não os realizam e não os fazem crescer como pessoas”, explica. Para ela, os cristãos podem ser testemunhos vivos ao viverem conforme a palavra do Senhor, buscando a castidade, o respeito a Deus, a si mesmo e ao outro. “Podemos sim, ‘gritar’ mais alto do que o que tem sido apresentado na nossa sociedade como modelo de relacionamento e esse grito precisa ecoar, através da nossa própria vida e experiência, contando sempre com a graça e misericórdia de Deus”, finaliza ela.

Pollyana Reis
Jornalista Afipe

Veja Também