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Hoje é o Dia Mundial da Religião e Combate à Intolerância Religiosa

Data foi criada para debater a importância de aceitar e respeitar as diversas crenças

Você sabia que hoje, 21 de janeiro, celebra-se o Dia Mundial da Religião e de Combate à Intolerância Religiosa? Data que foi criada para debater a importância de aceitar e respeitar as crenças dos nossos irmãos. De acordo com o coordenador do Programa de Doutorado e Mestrado em Ciência da Religião na PUC-GO, Clovis Ecco, a origem da discussão sobre a intolerância religiosa é antiga. “Vem lá de 1947, na Pérsia, quando um grupo de monges monoteístas se organizou para pensar a convivência entre as diferentes compreensões religiosas. Não só monoteísta, mas também politeístas. E no Brasil, isso entrou em vigor em 2007 com aquela agressão à mãe de santo na Bahia e a partir disso tornou-se lei e, hoje, uma intolerância religiosa no Brasil, de acordo com o código penal, é inafiançável”, explica.

O professor Clóvis se dedica a este assunto e tem livros lançados sobre o tema. E o estudo fez com que ele conhecesse o verdadeiro significado da intolerância religiosa. A ponto de perceber tal atitude no cotidiano. Ele cita um exemplo: “Ontem eu estava caminhando e passaram dois indígenas. Por perto tinham dois adolescentes e eu ouvi um deles falando que um dos índios tinha o relógio melhor que o dele. O que isso significa? Você trata o outro de uma forma diferente quando você tem certeza que o outro é inferior a você. Então, primeiro acontece esse processo de inferiorizarão do outro, que é o diferente, o índio, o homossexual, o negro, e aquele que tem uma religião diferente e quando essa indiferença é construída, a pessoa passa a ter consciência que o outro é inferior, passa a trata-lo de forma diferente por isso”, pontua.

Mas, antes de entender o que é a intolerância, é necessário ter um entendimento sobre o que é a religião. “Religião é o que religa as pessoas, as culturas. São as pontes que unem as pessoas na universalidade. Então, por exemplo, o catolicismo tem essa pretensão a partir do projeto de Jesus, que veio para acolher a todos. Um texto bíblico que é uma máxima: “Eu vim para que todos tenham vida”, mas ao mesmo tempo não faça para o outro aquilo que eu não queira que façam para mim. Então, é acolher a todos que compreendem diferente, que entendem diferente, que tem outra forma de credo. Mas, resume-se à acolhida ao diferente. Isso é a essência do cristianismo e do catolicismo e disso parte a propagação da paz e da justiça. Esses dois termos são essenciais: paz e justiça. Onde há os dois, a intolerância é superada”, ressalta o professor Clovis.

Só com muita educação e conhecimento é possível formar uma sociedade mais tolerante. Para denunciar atos de intolerância religiosa existe um canal. É o disque 100, no ano passado mais de 500 denúncias foram registraras aqui no Brasil. “A essência do Evangelho é a convivência entre os diferentes, é acolher o outro que pensa e vive diferente. Eu não quero que o outro seja igual a mim, mas eu tenho que respeitá-lo e ter a compreensão. Isso é a essência da convivência, que é máxima da humanidade”, conclui o professor.

Pode não fazer parte da nossa realidade, mas no Brasil ainda existem pessoas que julgam o próximo por conta da sua religião. E o dia de hoje tem a intenção de nos lembrar, de não fecharmos os olhos para essa atitude que não condiz com o caminho que o Pai Eterno nos ensinou. “Caminhamos muito, mas ainda temos muito para melhorar. Há muitas situações de intolerância. É uma área que eu busco, pesquiso e o grupo que sofre a maior intolerância são os africanos, que sofrem muitas agressões e rejeições em vários lugares do Brasil, inclusive em Goiânia. Por mais que a lei proteja, que seja um crime inafiançável, o fato das pessoas entenderem o outro como inferior por conta da religião ainda está muito presente no comportamento das pessoas”, completa.

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