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“Ponde os olhos nos Crucificado e tudo vos parecerá pouco”

É preciso olhar para os irmãos, porque ao abraçar a Paixão, Jesus o fez por eles, por nós. Confira artigo especial

Foto: Danilo Eduardo

“Ponde os olhos nos Crucificado e tudo vos parecerá pouco”. Esta frase pertence à Santa Teresa de Jesus, doutora da Igreja e reformadora do Carmelo. É a oração que brota de um coração que entendeu a mensagem da Cruz e a leu com a própria vida. É um chamado à contemplação. Sim: contemplar o Crucificado!

Na correria do dia a dia, talvez contemplar não seja uma das atitudes mais fáceis de serem cumpridas. Mas, neste tempo de pandemia, em que reduzimos a marcha da vida, podemos nos deter com mais afinco nesta atitude elevada da alma. Além dessa oportunidade, todos os anos a Igreja nos permite fixar os nossos olhos no Cristo Crucificado, ao fazer memória de Sua Paixão, e deixar que sejamos atraídos a Ele. (cf. Jo 12, 32) A celebração anual da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor alimenta o nosso desejo de eternidade e nos faz participantes de Seu grande mistério de amor.

Olhamos para o Crucificado, para o mistério de Sua Paixão, e pensamos no sofrimento, no sangue derramado, na dor, na zombaria. Humanamente, parece-nos impossível imaginar que alguém tenha suportado tanto. E, talvez, poderemos nos perguntar: por que, Senhor? E a resposta que nos vem pela oração é: Porque Eu amo você! E Santa Teresa, abraçada à cruz, nos ajuda a entender que tudo nos parecerá pouco. Se voltarmos nosso olhar às páginas do Evangelho de São João, capítulo 13, versículo 1, encontramos a resposta: “Tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.

O amor tudo ensina, pois a dolorosíssima Paixão é obra de infinito amor”. Isto nos apresenta São Paulo da Cruz, o grande místico do século XVIII. Ele compreendeu de tal modo o mistério da Paixão do Senhor, a ponto de dizer que ela é: “a mais estupenda obra do amor de Deus pela humanidade”, “um mar de dor e um mar de amor” e “a porta que dá acesso às pastagens deliciosas do espírito”. Estas são apenas algumas definições de São Paulo da Cruz para encarar a Paixão.

Olhemos para a Cruz, para o Crucificado. Mas, não nos esqueçamos de olhar para os crucificados. O grande sentido de se contemplar a Paixão de Jesus é, sobretudo, olhar para a paixão dos nossos irmãos de hoje. Muitos não são erguidos numa cruz do calvário, mas são crucificados na medida em que têm seus direitos negados, que não têm acesso aos serviços de saúde, que não têm o pão de cada dia, que convivem com a indiferença , com o desprezo, com o esquecimento, com a falta de amor.

É preciso olhar para os irmãos, porque ao abraçar a Paixão, Jesus o fez por eles, por nós. É o que nos recorda com propriedade o beato Charles de Foucauld: “Dirigindo-se para a morte, Jesus não pensa Nele; mesmo nesses instantes supremos, Ele se entrega inteiro a fortalecer, consolar, advertir Seus discípulos. Façamos como Ele: esqueçamo-nos totalmente de nós por Deus”.

O silêncio da terra prostrada aos pés do Seu Senhor crucificado é a melhor resposta que alguém pode ouvir. Diante dos fatos de nosso cotidiano, ouçamos o que Ele tem a nos dizer, pois “quem se aconselha com o Crucificado jamais erra”. (São Paulo da Cruz)

Marcus Tullius
Apresentador da TV Pai Eterno

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