Apoio Espiritual

Covid 19: Faz um ano que tudo começou . . .

Confira artigo especial do Missionário Redentorista, Pe. José Pereira de Sousa

Está fazendo um ano que o mundo inteiro foi pego de surpresa com a propagação do vírus da Covid 19. No início foi chamado simplesmente de Novo Coronavirus. De repente tudo começou a mudar. Costumes, hábitos e atitudes. Foi preciso aprender a lavar bem nossas mãos com agua e sabão. Foi preciso manter a distância do contato físico com as pessoas para evitar a transmissão do novo Coronavirus. Foi preciso cuidar melhor de nossa higiene pessoal com o uso de álcool em gel e continuar o isolamento social. Estávamos iniciando uma quarentena que mudaria profundamente o comportamento de toda a sociedade. Quem diria que um vírus invisível pudesse ameaçar e causar a morte de tantas pessoas no mundo inteiro! Era visível a necessidade de manter os cuidados necessários como prevenção ao Novo Coronavirus.

No dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial de SaúdeOMS, anunciou que a Covid 19 já era considerada uma pandemia mundial. Daquele dia em diante a situação só foi piorando cada vez mais. A medida que o tempo foi passando também foi aumentando a indiferença egoísta, a ignorância por boa parte da população, e a omissão das autoridades públicas, com relação ao enfrentamento da Covid 19. A pandemia do novo Coronavirus se espalhou pelo mundo inteiro exigindo a disciplina do distanciamento e do isolamento social, como o único meio de desacelerar a transmissão do vírus e seu contágio.

Aos poucos começamos a usar máscaras. Logo, foi autorizado a confecção de máscaras caseiras. Mas até hoje ainda tem gente que não sabe usar a máscara corretamente. E o que é pior: tem pessoas que não aceitam usar máscaras. E assim cresceu o número de brasileiros que não adotam nenhuma medida de restrição social, de nenhuma natureza, como forma de prevenir a contaminação pela Covid 19. Isso é o que foi constatado pelo IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no período de julho a setembro de 2020.

Parece inacreditável, mas foi durante a Campanha da Fraternidade do ano passado, que teve como tema, “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”. E o lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”, que a pandemia do novo Coronavirus se espalhou pelo Brasil. Naquele momento, a Igreja Católica chamava a atenção de toda a sociedade brasileira para a importância do cuidado para com a vida humana, como Dom e Compromisso de todos os brasileiros (as). Estávamos unidos por uma preocupação comum. O cuidado com a vida. Infelizmente, muita gente não deu a mínima atenção para o tema da Campanha da Fraternidade.

Ainda no primeiro semestre de 2020 surgiu a descoberta das vacinas em tempo record, o que foi considerado um avanço da ciência. Era preciso cumprir os protocolos científicos e sanitários, obviamente. Mas, o fato é que em alguns países do mundo a autorização para o uso de vacinas foi acontecendo. No Brasil foi totalmente diferente. A vacina aqui virou chacota entre os principais governantes. Enquanto piorava a situação da pandemia os responsáveis pela saúde pública no País brigavam entre si. A “ausência” e a omissão do governo federal no combate ao Coronavirus foi e continua sendo um fato incontestável. O País já está num período muito prolongado com altas taxas de casos e mortes. O Sistema Único de Saúde –SUS enfrenta o pior momento desde o início da pandemia. “Estamos cansados de contar o número de mortos todos os dias. Chega de contar mortos. Queremos que a sociedade, o governo, as autoridades e todos nós passamos a nos comportar de maneira mais civilizada. Esse número de mortes pela Covid 19 é absolutamente intolerável” (Margareth Dalcolmo, pesquisadora e pneumologista da FIOCRUZRJ.) Finalmente, no dia 17 de janeiro de 2021, a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, autorizou o uso emergencial da primeira Vacina que chegou ao Brasil: a Coronavac. Depois de um tempo, também foi aprovado o uso emergencial da vacina Astrazênica.

Até aqui tudo parece tranquilo. Mas o que aconteceu? Não tem vacina para vacinar toda a população. Foi estabelecido que alguns grupos prioritários teriam prioridade, o que é perfeitamente compreensível. Mas, como entender a lentidão da distribuição das vacinas no Brasil? Porque será que nem mesmo os idosos ainda não estão todos vacinados? Está mais do que evidente que não houve vontade política para acelerar os contratos com os laboratórios responsáveis pela fabricação das vacinas.

O que estamos vendo é o aumento assustador de casos e de óbitos todos os dias. Estamos pagando um alto preço pelas aglomerações do período da campanha eleitoral, das festas de fim de ano e do carnaval. O que mais deveria nos causar indignação é perceber que quem devia se preocupar com a situação alarmante da pandemia parece estar feliz com a morte de milhares de pessoas. Os números de óbitos já não assustam mais a ninguém. Diante de tudo isso, algumas perguntas se fazem necessárias. Porque tanto descaso com a situação da pandemia no Brasil? Porque as autoridades e os gestores de saúde pública não se preocuparam com essa situação desde o início para evitar um “colapso nacional”? Porque as pessoas preferem correr o risco de contrair o vírus da Covid 19 do que se prevenir? Já são mais de 261 mil óbitos de pessoas que perderam a vida por causa do novo Coronavirus e suas variantes.

No dia 01 de março de 2021, por meio de uma Carta aberta divulgada pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde, os secretários estaduais de Saúde de todo o País, reivindicam mais rigor nas medidas restritivas para evitar o “colapso nacional” pelo descontrole da Covid 19. Eles afirmam que “o relaxamento das medidas de proteção e a circulação de novas cepas do vírus propiciaram o agravamento da crise sanitária e social, esta última intensificada pela suspenção do auxílio emergencial”. Os gestores estaduais da Saúde defendem medidas mais duras em nível nacional. É o caso da proibição de eventos presenciais, como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e correlatas, do fechamento de escolas, bares, igrejas, praias e o toque de recolher das 20 horas até às 06 horas da manhã e durante os finais de semana. Pedem ainda a compra de todas as vacinas disponíveis, a ampliação da testagem e o acompanhamento dos testados, com isolamento dos casos suspeitos e monitoramento dos contatos, a criação de barreiras sanitárias considerando o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual (Carta dos Secretários Estaduais de Saúde à Nação Brasileira).

Concluindo esse artigo, gostaria de lembrar que neste mundo somos todos interdependentes. Tudo está interligado. Nada deste mundo nos é indiferente. Pela segunda vez estamos unidos por uma preocupação comum. O medo de morrer infectados pelo vírus da Covid 19. “Não podemos afrouxar o isolamento social e as restrições de aglomeração de pessoas, mantendo a distância necessária do contato físico. É preciso foco e disciplina. O desafio é imenso. A sociedade brasileira está sendo colocada à prova. Nossa vida está em risco. O número de mortes pela Covid 19 no Brasil é absolutamente intolerável. Chega de contar mortos todos os dias. Já passou da hora de entrar em cena o coro dos lúcidos, fazendo valer a opção pela vida e contra a cultura da morte”. Afinal, a vida é um Dom de Deus e Compromisso de todos nós!

Pe. José Pereira de Sousa, CSsR.

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