Especial

Setembro Amarelo: é preciso falar sobre saúde mental

Pe. Lício de Araújo Vale alerta sobre a importância de todos estarem atentos aos sinais de pessoas próximas

O suicídio sempre foi um fenômeno preocupante. Todos os anos, ele aparece entre as 20 principais causas de morte no mundo, para pessoas de todas as idades. Apenas no Brasil, são registrados mais de 13 mil suicídios todos os anos, segundo dados da campanha institucional Setembro Amarelo. Com a pandemia da Covid-19, essa realidade tornou-se ainda mais alarmante, já que os índices de adoecimento mental e de comportamento suicida tiveram um aumento expressivo.

Com o objetivo de prevenir e reduzir estes números, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), desde 2014, promovem nacionalmente o Setembro Amarelo, como forma de conscientizar sobre o assunto, que ainda é um tabu na sociedade, principalmente no ambiente eclesial.

Pe. Lício de Araújo Vale, CEO do Instituto Influir, suicidólogo, educador e palestrante, alerta que o comportamento suicida vem de transtornos mentais, como: depressão, esquizofrenia e transtorno de bipolaridade. Por isso, ele destaca a importância de estarmos sempre atentos aos sinais dados pelas próximas de nós.

“Atitudes podem prevenir o suicídio. Primeiramente, precisamos identificar os sinais diretos e indiretos, geralmente as pessoas que sofrem de transtornos mentais dão indícios. O segundo passo é chamar essa pessoa para conversar e ouvi-la com empatia, afeto, sem julgamentos e sem despejar discurso religioso. O terceiro passo é orientá-la a procurar um serviço de saúde mental, um psicólogo ou psiquiatra. Para isso, veja se na sua cidade tem Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)”, orienta o religioso.

Ambiente eclesial

O padre ainda pontua que essa também é uma realidade do meio eclesial. Segundo ele, de janeiro de 2016 a dezembro de 2020, 16 padres católicos se mataram. Isso fez a Igreja acordar, estudar fatores de risco e buscar formas de solucionar a questão. “Muitas vezes, nós, padres, cuidamos dos outros e esquecemos de nós mesmos. Por isso, é fundamental falarmos sobre o tema. Hoje, na Igreja, há vários grupos eclesiais e Pastorais focados nesta discussão. Em todos os ambientes, precisamos estudar, conhecer e prevenir”, diz.

Com o isolamento social, ocasionado pela pandemia, tudo isso se potencializado, acrescenta Pe. Lício de Araújo Vale. “Todos nós fomos impactados emocionalmente, alguns em menor escala, outros em maior. Somos um povo afetivo, que gosta de abraço, carinho. A mudança drástica de vida traz consequências. Vale lembrar que o suicida não quer matar a sua vida, e sim matar a sua dor de alma. Por isso, mais do nunca, precisamos discutir a questão”, finaliza.


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